Cooperativas pedem menos rigor com transgênicos
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quarta-feira, 28 de janeiro de 2004
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Representantes das cooperativas do Paraná pediram ao governador em exercício, Orlando Pessuti (PMDB), tolerância com a soja transgênica no Porto de Paranaguá. Em reunião realizada ontem com Pessuti, o presidente da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), João Paulo Koslovski, disse que o mercado internacional sabe que são impossíveis embarques com índice de contaminação zero.
Preocupadas com a possibilidade de serem responsabilizadas por contaminações nos carregamentos de soja, as cooperativas pediram que o governo Roberto Requião (PMDB) adote índices aceitos no mercado internacional. Segundo Koslovski, o mercado internacional aceita até 0,9% de mistura e a legislação federal admite até 1% de mistura da soja convencional e graõs modificados geneticamente.
Ontem, a Universidade Federal do Paraná confirmou a existência de mais cinco lavouras com soja transgênica no Sudoeste do Estado. Koslovski disse que como esses produtores se escondem no anonimato também não vão identificar a produção quando entregarem para a comercialização. ''Daí o temor das cooperativas com a forte possibilidade de mistura'', esclareceu.
Pessuti decidiu que esses detalhes serão avaliados durante reuniões técnicas que vão acontecer no início da próxima semana em Curitiba e Paranaguá. ''Os técnicos vão decidir se podem aceitar a mistura ou não'', argumentou. De acordo com o responsável pela fiscalização da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, Carlos Alberto Salvador, o governo trabalha com índice zero de contaminação.''Daí o empenho em detectar soja transgênica ainda nas lavouras'', justificou.
Para evitar que a soja transgênica chegue ao porto, Pessuti disse que a Empresa de Classificação do Paraná (Claspar) está instalando laboratórios nas cidades pólos do Estado por onde passa a maior parte da produção. As cooperativas também se comprometeram em fazer testes laboratoriais no momento da recepção da produção. Além disso, algumas cooperativas como a Coamo, Batavo, Castrolanda e Agrária, de Guarapuava, contrataram certificadoras internacionais que atestam que a soja exportadas por elas é convencional.


