Cooperativas pedem crédito para capital de giro
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quarta-feira, 11 de maio de 2005
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba As cooperativas paranaenses estão reivindicando uma linha de crédito especial, com juros do crédito rural, para que possam repassar essas vantagens aos cooperados, na renegociação das dívidas contraídas com a compra de insumos. Elas pedem ainda, ao governo federal, a concessão de empréstimos para capital de giro.
A safra quebrou por causa da seca ocorrida no início do ano e, a partir deste mês, começam a vencer os financiamentos contraídos junto à fornecedores, que foram repassados aos cooperados para plantar. Acontece que as cooperativas estão sem condições de pagar as dívidas no prazo pactuado, por incapacidade de pagamento dos cooperados. Tradicionalmente, as cooperativas, tradings e fornecedoras de insumo financiam os produtores porque os recursos do crédito rural cobrem cerca de 30%. O prejuízo no Estado está avaliado em R$ 2,5 bilhões.
''Os prejuízos ao produtor são extensivos às cooperativas'', admitiu o assessor econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Flávio Turra. Ele não soube estimar o tamanho do endividamento dos produtores junto às cooperativas. Para o assessor econômico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Carlos Augusto Albuquerque, as dívidas dos agricultores nas cooperativas são expressivas. ''Se o Valor Bruto da Produção da safra 2004/05 está estimado em R$ 25 bilhões e o Banco do Brasil financiou cerca de R$ 2 bilhões, que não atinge nem 10% do que será colhido, o restante foi financiado em algum lugar''.
Os produtores recorrem às cooperativas para financiar a compra de insumos, que repassam as vantagens das linhas de crédito rural para o produtor saldar no período da colheita. Mas em caso de quebra de produção não há como provar o vínculo do agricultor com a linha de crédito, porque o tomador foi a cooperativa, explicou Turra. Em outra situação, a cooperativa vendeu os insumos ao produtor, tendo como aval o fornecedor de insumos. Também nesse caso a cooperativa assumiu a dívida.
Há casos ainda, que a cooperativa financiou a venda de insumos com recursos do capital de giro, recurso que fará falta se o agricultor não tiver condições de saldar a dívida no prazo previsto. ''Na região Oeste, são poucos os que terão de pagar a dívida de custeio no prazo contratado'', disse o presidente do Sindicato Rural de Cascavel, Nelson Menegatti.
As cooperativas precisam do financiamento para que possam alongar a dívida dos produtores. Elas não foram incluídas no prolongamento das dívidas, permitido ao produtor rural que financiou o custeio por meio do crédito rural, diretamente no banco. Turra acredita que, a partir de 2006, os produtores possam regularizar parte dos débitos. A Faep também quer a inclusão dos pecuaristas de carne e leite na renegociação das dívidas, porque a estiagem prejudicou as pastagens.


