Cooperativas estão com medo de investir
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sexta-feira, 06 de junho de 1997
Vânia Casado Curitiba 
Os produtores e cooperativas - que aumentaram sua capacidade de investimento depois da excelente comercialização da soja - estão com medo de investir. Eles perderam a confiança no governo, depois dos prejuízos acumulados em planos econômicos antigos e principalmente depois do Plano Real que penalizou violentamente o setor agrícola.
A análise é do presidente da Cocamar, Luiz Lourenço, que participou ontem do seminário promovido pelo Ipardes sobre os impactos regionais provocados pela abertura da economia. O economista Antonio Barros de Castro, da Unicamp e da Universidade Federal do Rio de Janeiro, sugeriu novas técnicas no setor de Agribusiness que permite a produção em outras condições. Segundo ele, a produção bruta é ilusória, sendo necessária a criação de novas técnicas que permitem a reestruturação de setores penalizados. A técnica do plantio adensado de café vai tornar o produto nacional imbatível em competitividade, adiantou.
Luiz Lourenço defendeu o apoio à atividades que faturam mais por área como suinocultura, avicultura, laranja, café adensado, leite, que são alternativas que geram maior renda. O governo deveria incentivar o crescimento desses setores priorizando os financiamentos através do Pronaf que proporcionam capacidade de pagamento ao pequeno produtor.
Isso porque com a abertura da economia brasileira dificilmente as pequenas propriedades que predominam no Paraná vão se sustentar somente com a produção de grãos. Aliás a atividade primária está a ponto de se inviabilizar para o pequeno produtor que não tem base tecnológica para competir num mercado de economia aberta, resumiu.
A desconfiança do produtor em relação à economia se acentuou depois do plano Real com a explosão nos juros dos financiamentos. Segundo Luiz Lourenço as cooperativas pagaram juros acima do normal da ordem de 70% e os produtores que compraram um trator, estão pagando o equivalente a 2,5 unidades. Diante desses descalabros, disse o cooperativista, fica muito difícil planejar o crescimento daqui para frente. Para reverter essa situação só o tempo é que deverá apagar essa imagem de que o governo sempre muda as regras no meio do jogo. Ou então o governo poderia criar novas oportunidades para os produtores em substituição às culturas que estão perdendo com a abertura da economia como o algodão, trigo, milho e produtos lácteos em geral.
Algodão não volta Na opinião de Lourenço, dificilmente o estado vai resgatar sua condição de primeiro produtor de algodão, enquanto permanecer as regras que privilegiam a importação de produto subsidiado na origem e com facilidades de financiamento e prazo de pagamento. Essas vantagens foram responsáveis pela drástica redução no plantio que chegou a ocupar 700 mil hectares na safra 92/93 e na última safra foi reduzida a menos de 70 mil hectares.
Outro produto que está enfrentando dificuldades é trigo. O Brasil já chegou a produzir 6 milhões de toneladas e hoje a produção nacional está reduzida a 2 milhões de t, enquanto o consumo já avançou para 8 milhões de tonelas. Para Lourenço a grande dificuldade da produção nacional é competir com os custos da produção argentina. A sorte é que o trigo no Brasil é cultivado durante a entressafra, mas não há dúvida de que é uma atividade comprometida, explicou.
Para Luiz Lourenço, a fase mais complicada do endividamento do setor agrícola já passou. Agora o processo é de ajustes e a capacidade de investimentos está nula. Ele acredita que novos investimentos no setor depende da consolidação dos financiamentos antigos.


