Cooperativas entram com ação contra grupo japonês
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sexta-feira, 26 de janeiro de 2001
Benê Bianchi De Londrina 
A Cooperativa dos Agricultores da Região de Orlândia (Carol), de Orlândia (SP) e Cooperativa Agropecuária Rolândia Ltda (Corol) entraram com ação de indenização contra o Grupo Itochu, que foi protocolada no Fórum Central de São Paulo na última terça-feira, Na ação não consta valores solicitados pelas cooperativas como indenização.
As cooperativas, que eram sócias da Eximcoop S/A Exportadora e Importadora de Cooperativas do Brasil, se sentiram prejudicadas com a solicitação de autofalência feita pelo grupo, que havia assumido o controle acionário da companhia no início de 99.
Em novembro do ano passado, o grupo pediu a confissão de falência da empresa, acusando ex-administradores, conselheiros e funcionários de fazerem depósitos indevidos, desde 93, em contas pessoais no exterior. O total desviado, segundo a acusação, é de US$ 6,6 milhões.
Entre os citados na denúncia estão o presidente da Carol, José Oswaldo Galvão Junqueira, e o vice-presidente da Corol, Miguel Abrão, que eram diretores da Eximcoop. Eles negam qualquer desvio. A Carol e a Corol administravam a Eximcoop antes da aquisição pelo grupo Itochu.
Em recentes entrevistas à Folha, os diretores das duas cooperativas alegaram que a companhia foi adquirida após minuciosas auditorias em suas contas e disseram estranhar que um grupo sólido como o Itochu, que atua em vários países, tenha pedido falência de uma empresa como a Eximcoop e ainda alegando prejuízos de US$ 6,6 milhões. A Eximcoop, antes de ser vendida à Itochu, era a 10ª exportadora de produtos agrícolas do país.
Segundo os diretores das cooperativas, após a aquisição, os japoneses foram diminuindo as atividades da Eximcoop sem quelquer explicação. Como acionistas minoritárias, as cooperativas vinculadas à Eximcoop, alegam os diretores, não tinham poder para decidir as ações da companhia.
Além da Carol e Corol, eram sócias a Cooperativa Regional Mista de Cambará Ltda (Coopramil), Cooperativa dos Cafeicultores da Média Sorocabana (Coopermota), de Cândido Mota (SP); Cooperativa Agrícola Sul Matogrossense (Copasul), de Naviraí (MS); e Cooperativa Agropecuária Vale do Tibagi (Valcoop), de Londrina (PR).
O grupo Itochu pediu ao Ministério Público investigação na Eximcoop para apurar suspeitas de crime de subfaturamento nas exportações de soja, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e sonegação fiscal. O MP já encaminhou ofício para a Polícia Federal de São Paulo solicitando a instauração de inquérito e a nomeação de um delegado para investigar o caso.


