O embate fitossanitário - e também comercial - entre Brasil e Rússia no que diz respeito ao embargo do país europeu aos produtos brasileiros de origem animal parece ter dado uma trégua graças a duas cooperativas paranaenses. Os frigoríficos da C.Vale, de Palotina, e da Lar, de Matelândia, conseguiram liberação – num dos casos, parcial – para exportar carne de aves para a Rússia. As unidades brasileiras estavam com restrições desde junho de 2011, quando os russos vetaram a comercialização dos estados do Paraná, Mato Grosso e Rio Grande do Sul.
Por meio de nota oficial, o secretário de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento(Mapa), Célio Porto, destacou que a "liberação é o primeiro gesto concreto das autoridades russas, que torna efetiva a suspensão das restrições aos três estados". O comunicado ressaltou ainda que, desde novembro, o governo russo demonstrou interesse em suspender a proibição, desde que as empresas brasileiras atendessem todas as exigências do país e apresentassem um plano de ação.
O fim da restrição foi publicado na segunda-feira pelo site do serviço sanitário russo. De acordo com as informações, duas plantas das cooperativas localizadas em Palotina e Matelândia foram autorizadas a retomar as remessas internacionais. Com a negociação bem sucedida entre dois frigoríficos, a expectativa do Mapa é que as empresas dos outros estados também apresentem o plano de ação para aprovação das autoridades russas o mais rápido possível e, consequentemente, consigam a liberação da exportação da carne de ave brasileira.
Através de um comunicado, o presidente da C.Vale, Alfredo Lang, salientou que a comercialização será retomada, mas ainda de forma parcial. "É uma notícia positiva, considerando-se o potencial do mercado russo. Mas o que os russos autorizaram nesse momento foi a exportação para atender a clientes específicos. Não significa exatamente o fim do embargo, mas uma liberação parcial para voltarmos a exportar. No nosso caso, vamos fornecer peito de frango aos russos", relatou. No ano passado, a C.Vale comercializou 183 mil toneladas de carne de frango, sendo que 50% foi destinada a exportação para países como França, Inglaterra, Bélgica, Alemanha, Finlândia, entre outros. O abate atual da cooperativa é de 340 mil aves por dia e, até o final de 2013, deve atingir a marca de 400 mil animais diários.
No caso da Lar, não houve restrições, com todos os cortes habilitados. O gerente da divisão de alimentos da cooperativa, Jair Meyer, relembra que, no ano passado, uma comitiva russa visitou diversos frigoríficos, entre eles o da Lar. "Não estávamos em conformidade em pequenos detalhes exigidos por eles e agora resolvemos esta situação. Apesar de não haver muito volume de exportação para a Rússia, é um mercado interessante porque poucas empresas estão habilitadas a exportar para eles neste momento", comenta Meyer. "Houve também o contato de clientes nossos do país que pediram a liberação do produto", complementa. Das 10 mil toneladas mês comercializadas pela lar, 40% é exportada. (Com Agência Brasil)

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