Cooperativas do PR comemoram
ajuste da moeda: providencial
A desvalorização cambial ocorrida em janeiro desse ano é um dos fatos positivos do plano Real apontados pelo setor cooperativista. De acordo com Nelson Costa, da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar, o plano Real chegou aos cinco anos de idade livre da âncora cambial, que dificultava o relançamento do desenvolvimento econômico. Depois de passar pelos difíceis testes da crise do México, em 1995, a da Ásia, em 1997, da Rússia em 1998, finalmente, atravessou sua própria crise em janeiro deste ano. Segundo Costa, num primeiro momento o plano permitiu a reestruturação do setor produtivo em função do fim da superinflação e a conservação das taxas anuais em patamares aceitáveis. Esse quadro representou o passo decisivo para a desindexação de preços e saláários e proporcionou o aumento da renda real dos mais pobres.
Por outro lado, o setor produtivo foi posto em cheque, e pagou caro por isso, disse Costa. ‘‘Pagou juros exorbitantes, exportou dólar sobrevalorizado e competiu com produtos importados’’, acrescentou. Para a Ocepar, a agricultura especialmente, sofreu em demasia com a abertura comercial, pois o Plano Real se alicerçou na âncora verde, provocando o maior endividamento da história da agricultura brasileira, que resultou na queda da renda agrícola, colaborando para a exclusão de uma série de produtos do processo produtivo.
Apesar da desvalorização cambial e o sistema adotadoá de câmbio flutuante, os riscos ainda persistem, alertou Costa. Segundo ele, enquanto o Brasil não fizer as reformas estruturais necessáárias para que os agentes econômicos atuem com maior liberdade e responsabilidade tributáária e fiscal, será difícil encontrar o caminho do desenvolvimento econômico sustentado. (V.C.).
á

mockup