Cooperativas do Paraná crescem 6% e faturam R$ 6,8 bi em 2000
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quinta-feira, 28 de dezembro de 2000
Vânia Casado De Curitiba 
As cooperativas de produção agropecuária do Paraná fecham o ano com um crescimento real de 6%. A receita bruta deve render R$ 6,8 bilhões ao setor, contra R$ 6 bilhões faturados no ano passado.
Não fossem os prejuízos com as geadas e estiagem que provocaram a perda de 3 milhões de toneladas de grãos entre trigo e milho, o ano poderia ser ainda melhor, avaliou João Paulo Koslovski, presidente da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar).
Além do prejuízo financeiro aos produtores cooperados, avaliado em R$ 500 milhões, muitos investimentos programados pelas cooperativas foram engavetados após a ocorrência das geadas, justificou.
Segundo Koslovski, a previsão das cooperativas era investir R$ 300 milhões este ano, mas foram investidos somente R$ 200 milhões. Os recursos foram direcionados para o setor industrial. A Coamo investiu em fábrica de margarinas, a Coopavel e a Copacol em modernos frigoríficos de abate de aves e a Cocamar vem investindo em modernização tecnológica.
Para 2001, permanece a previsão de investimentos em torno de R$ 300 milhões, embora Koslovski admita que esta projeção é conservadora. Segundo ele, o crescimento da economia e do setor do agronegócios previsto para 2001 podem estimular as cooperativas a expandir os investimentos.
Por outro lado, o bom desempenho do setor de carnes, principalmente da avicultura, do leite e da soja verificado este ano compensaram em parte as perdas provocadas pelo clima. As cooperativas que trabalham com leite e derivados ensaiaram uma recuperação nos preços este ano, mas tiveram que recuar no último trimestre do ano em função do excesso de importações que novamente derrubou os preços do leite e derivados no mercado.
O resultado positivo das cooperativas foi influenciado pelo Recoop Programa de Recuperação das Cooperativas que injetou R$ 450 milhões nas cooperativas paranaenses. Esse volume de recursos corresponde apenas a 50% do programa e a Ocepar pretende a implementação total do programa para 2001. Os recursos foram investidos no refinanciamento de dívidas, capital de giro e novos investimentos.
Com isso, muitas cooperativas conseguiram reverter o estado crítico de endividamento que se encontravam porque os débitos foram alongados em 15 anos. Como a maior parte ainda está em período de carência, as cooperativas conseguiram um fôlego que permite investimentos em modernização e ampliação das instalações para depois quitarem seus débitos, disse Koslovski.
Além do Recoop, as cooperativas estão contabilizando o aumento na venda de insumos registrada esse ano, que permitiu maior giro financeiro. Os produtores tiveram que recomprar os insumos após as geadas e também o aumento da área de plantio verificado na safra 2000/2001 impulsionaram a venda de insumos, destacou o presidente da Ocepar.
Koslovski lembrou que um fato positivo registrado em 2000, foi a oferta de recursos com juros subsidiados. De acordo com o presidente da Ocepar, o Banco do Brasil teve sensibilidade em alocar um adicional de R$ 300 milhões ao Paraná para o custeio da safra, que permitiu o aumento na área plantada. Se não houver complicações de clima, espera-se a colheita de uma safra animadora em 2001, acredita.
Outro fator importante de modernização apontado por Koslovski este ano foi a profissionalização. Foram treinados cerca de 30 mil produtores pelo Serviço de Ensino do Cooperativismo (Sescoop-PR). Com isso, o perfil das cooperativas está sendo alterado. Elas se profissionalizaram e se modernizaram e estão adquirindo condições para enfrentar a concorrência acirrada da globalização.
A preocupação agora é criar mecanismos que proporcionem o aumento de renda do agricultor. A maior parte das propriedades rurais tem em média 50 hectares, que inviabiliza o ganho com as lavouras de grãos que estão se deslocando para as regiões centro-oeste e norte do País. A alternativa é orientar o cooperado a investir em atividades que gerem produtos de maior valor agregado como fruticultura, avicultura, horticultura, suinocultura, leite, produção de sucos.
Uma das tendências que deve se acentuar em 2001 é a colocação de produtos das cooperativas diretamente nas prateleiras dos supermercados. A Cocamar já vem atuando dessa forma e outras cooperativas devem programar a produção de acordo com a demanda, para evitar encalhes de produção, disse Koslovski. A tendência das cooperativas é de estudar nichos de mercado onde possam atuar com maior rendimento, acrescentou.


