‘‘As cooperativas do Paraná deveriam ser mais atuantes na hora de negociar a produção de trigo de seus cooperados para conseguir melhores preços junto aos moinhos’’. A afirmação foi feita ontem pelo diretor do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura do Paraná, Norberto Ortigara. Ele diz que os preços aos produtores estão abaixo do preço mínimo (R$ 157,00), variando entre R$ 154,00 e R$ 155,00, para o tipo 1, qualidade superior.
Ortigara afirmou que o principal fornecedor do Brasil, a Argentina, tem 1,6 milhão de t de trigo para exportação, mas que a qualidade é inferior a do trigo nacional. O trigo argentino é cotado a US$ 150,00 na origem, e chega no moinho valendo R$ 220,00/t. ‘‘Então daria para os moinhos pagarem até R$ 180,00 para as cooperativas, que poderiam pagar aos cooperados entre R$ 165,00 e R$ 170,00/tonelada’’, calcula Ortigara. O técnico do Deral alega que os produtores se esforçaram bastante este ano para produzir com qualidade e agora não conseguem preço justo.
O operador de mercado de trigo, Pedro Orlando Diehal, da Agricampo, em Curitiba, afirmou que os argentinos baixaram seus preços, que na entrada da safra brasileira estava sendo cotado a US$ 158,00, e ontem já era negociado a US$ 158,00/t. Posto São Paulo, o trigo argentino, segundo Diehal, chega a R$ 195,52. O operador afirma que o produto do Paraná, está sendo vendido pelas cooperativas a R$ 175,00 no Norte do Estado, e que posto São Paulo, o produto atinge R$ 195,00. A diferença é de apenas R$ 0,52. ‘‘Os moinhos não tem culpa do baixo preço pago aos produtores. As cooperativas é que estão lucrando ao não repassar para os cooperados’’, afirmou.
Já as cooperativas se defendem afirmando que existe custos operacionais (secagem, armazenagem, seguro, etc), que variam entre R$ 0,50 e R$ 0,60/saca, aproximadamente R$ 10,00/t. No Norte do Paraná, o preço pago aos produtores por três cooperativas consultadas pela Folha variou entre R$ 158,00 e R$ 167,00/t.

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