Cooperativas de crédito buscam maior participação
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quarta-feira, 27 de junho de 2012
Marian Trigueiros <br>Reportagem Local 
Em 2011, o cooperativismo de crédito no País registrou um aumento de 25,8% com relação aos ativos contabilizados no ano anterior, 8,7% a mais que as outras instituições financeiras. Hoje, a participação do segmento no Sistema Financeiro Nacional (SFN) não chega a 2%. Dados divulgados pelo Banco Central (BC) sobre o SFN mostram que no total o valor movimentado no País passou de R$ 68,7 bilhões, em 2010, para R$ 86,5 bilhões, em 2011. No que depender das cooperativas, os números não devem parar de crescer e a meta é atingir a casa dos dois dígitos de participação no mercado nos próximos dez anos.
No Paraná, a participação das cooperativas de crédito é mais significativa, ficando em torno de 7% do mercado. Especialistas ouvidos pela FOLHA afirmam que a meta de 10% é ousada, mas possível, sobretudo porque a maior participação motivaria a concorrência entre os agentes financeiros, resultando em diminuição dos níveis dos spreads bancários e das tarifas, ambos um dos mais altos em todo o mundo.
Segundo Manfred Dasenbrock, coordenador do Conselho Consultivo do Ramo Crédito (Ceco) no Paraná e membro da diretoria do Sistema Ocepar, as cooperativas têm se firmado no sistema como um agente mais participativo, já que cada associado não é apenas um cliente, mas um ''usuário-dono''. ''Além disso, os recursos captados na comunidade na qual está inserida acabam sendo reaplicados ali mesmo'', lembra. Esses e outros fatores diferenciam as cooperativas das demais instituições financeiras, que se destacam como protagonistas no Plano Nacional de Inclusão Bancária do BC.
Além disso, ele destaca que o avanço das normativas formaram um arcabouço legal no Brasil e deram credibilidade às cooperativas de crédito, impulsionando seu desenvolvimento. ''O BC começou a olhar com outros olhos, sobretudo após 2005, passando a orientar, supervisionar e auditar as cooperativas. Entenderam ainda que, pela concentração bancária existente no País - apenas dois bancos públicos e quatro privados fundidos - a única alternativa concorrencial eram as cooperativas, que, por sua vez poderiam trazer diferencial em termos de preços, serviços e tarifas.''
Silvio Giusti, gerente de Relacionamento e Desenvolvimento do Cooperativismo de Crédito da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), revela que até o final deste ano as cooperativas devem atingir a marca de 5 mil novos postos de atendimento no País. ''Hoje, em cerca de 45% dos municípios têm cooperativas. Em 2010, havia 416 municípios brasileiros, onde as cooperativas eram as únicas instituições financeiras locais'', enumera. Isso, segundo ele, são números que refletem o bom momento das cooperativas no sistema financeiro.
O crescimento do número de unidades motivado pelas taxas mais competitivas, de acordo com o gerente, é fortalecido pelo impacto social positivo que as cooperativas trazem à comunidade em que estão inseridas. ''Este fator reflete muito mais nas decisões, e os brasileiros, inclusive, já começaram a perceber o diferencial das cooperativas. É um mecanismo de reciclagem da riqueza local que é reinvestida localmente.'' Ao contrário dos bancos privados que vão atrás da maior rentabilidade, independentemente de onde tenham que aplicar aquele recurso.
Mercado concentrado
Se no Brasil as cooperativas estão no início de seu fortalecimento, Giusti diz que há países como a Alemanha em que as cooperativas de crédito, juntamente com bancos municipais, chegam a abranger 70% do mercado. ''Aqui é o contrário. Temos um mercado estritamente concentrado, no qual os cinco maiores bancos detêm quase 80% de toda movimentação. Sem falar que é uma das maiores taxas de juros mundiais'', comenta.



