A Corol, de Rolândia, está arrendando, por quatro anos, toda a estrutura física da Cooperativa do Médio Paranapanema (Campal), de Cornélio Procópio. As instalações que incluem silos, armazéns, máquinas de beneficiamento, escritórios, na sede e em dez entrepostos, passam a ser administrados pela Corol. Com o arrendamento, a Corol pagará mensalmente para a Campal 1,15% da movimentação de grãos recebidos.

A iniciativa de arrendar partiu da diretoria da própria Campal, que está enfrentando uma série de ações trabalhistas e de dívidas passivas avaliadas em R$ 7 milhões. Há quatro anos atuando na região de Cornélio Procópio, a Campal arrendou as antigas instalações da Coprocafé, fundada há 40 anos, que tem dívidas estimadas em R$ 30 milhões.

''Estamos visitando todos os entrepostos e conversando com os agricultores. O nosso interesse é grande e acreditamos que um cooperativismo sério é a solução para os agricultores, que estão depositando muita confiança em nós'', disse o presidente da Corol, Eliseu de Paula. A expectativa de continuar atuando na região também é grande. ''Queremo ficar para sempre e no nosso contrato comercial de arrendamento está estabelecido preferência de compra, caso haja a venda ou leilão da cooperativa'', afirmou.

A maioria dos 87 funcionários que foram despedidos da Campal e da Coprocafé, e que estão movendo ação trabalhista contra seus antigos empregadores por salários e garantias trabalhistas não recebidas, também estão sendo recontratados. ''O nosso objetivo é aproveitar todos os funcionários, mas não estamos aqui para assumir os passivos adquiridos por outras administradoras'', ressaltou Eliseu.

Para um dos diretores da Campal, Jorge Takassumi, o arrendamento serviu de alívio para a cooperativa e produtores; Ele informou que a proposta de arrendamento foi feita também para a Cooperativa Integrada e para uma empresa multinacional, que preferiu não citar a origem, nem o nome.

Sobre a decisão de arrendar para outra empresa, Takassumi justificou: ''Não tínhamos mais fluxo de caixa, nem credibilidade com os produtores, e isso inviabilizava a administração da empresa''. Acrescentou que as dívidas com produtores, a maioria delas, e com fornecedores devem ser pagas em quatro anos. ''E a prioridade é pagar os produtores'', destacou.

Nenhum dos entrevistados quis informar sobre os valores da negociação. O diretor da Campal, Jorge Takassumi, achou melhor ''não divulgar esse tipo de número.''

A expectativa da Corol é receber, neste primeiro semestre de atuação, cerca de 3,5 milhões de sacas de grãos, mas o potencial da região é avaliado em 14 milhões.

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