Cooperativas buscam saídas para a crise
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terça-feira, 21 de março de 2006
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
A crise da agropecuária e os prejuízos acumulados pelos produtores rurais neste ano atingiram proporções alarmantes. Estimativas indicam que nas duas últimas safras de grãos as perdas ultrapassaram 24 milhões de toneladas. Em 2005, o Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária teve o pior desempenho dos últimos três anos. Diante desse quadro - onde os agricultores não conseguem honrar seus compromissos com financiamentos - as cooperativas discutem hoje alternativas para superar essa crise instalada no campo.
O encontro, organizado pela Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), vai reunir dirigentes de cerca de 70 cooperativas estaduais em Curitiba. A Ocepar elaborou, no início deste mês, um documento com propostas e sugestões que devem ser adotadas pelo governo federal como medidas de auxílio aos produtores rurais. No entanto, não está descartado que hoje os cooperativistas decidam realizar algum tipo de manifestação para chamar a atenção da opinião pública e do governo para o problema.
A ''radiografia da crise que afeta a agropecuária brasileira'' já foi encaminhada a todos os ministros que ocupam pastas que, de alguma forma, afetam a agricultura. Além disso, a Comissão de Agricultura da Câmara Federal está tentando agendar uma audiência entre representantes do agronegócio brasileiro e o presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) para apresentar os resultados desse levantamento.
''Os produtores rurais não têm mais capacidade de pagamento. A estiagem, que atingiu o Estado por vários anos, afetou a produtividade das lavouras e os baixos preços atuais não cobre os custos de produção. No Paraná a situação é grave e, no Norte do Estado, onde a situação é um pouco melhor ocorreram bolsões de seca'', afirma Eliseu de Paula, presidente da Cooperativa Agropecuária Rolândia (Corol).
Propostas - Além do levantamento que mostra as perdas da agropecuária, a Ocepar elaborou um conjunto de propostas, inclusive, com sugestões que devem ser adotadas a curto prazo como medidas emergenciais. Como recomposição do endividamento, para a safra 2004/05 a sugestão é que a parcela de 2005 seja prorrogada para um ano após o vencimento da última parcela do contrato. Para a safra 2005/06, a proposta é que o pagamento da primeira parcela seja feito somente no próximo ano.
O relatório ainda sugere que se o pagamento das dívidas for mantido neste ano, o setor seria levado a uma inadimplência geral. A explicação é que mesmo se as lavouras não tivessem sido atingidas pela seca, o pagamento seria impossível devido aos baixos preços praticados. Também são sugeridas ações de apoio para a safra verão 2005/06, como a alocação de R$ 2,1 bilhões para a comercialização da produção para garantir a política de garantia de preços mínimos.
Para a safra de inverno, o pedido é de liberação de R$ 1 bilhão com juros de crédito rural e antecipação dos recursos. Essa ação permitiria aos produtores fazer o plantio com a tecnologia recomendada. Além disso, são sugeridas garantias de preço mínimo, simplificação do seguro rural, implementação da frente parlamentar da triticultura nacional e estabelecimento de cotas de importação do trigo e seus derivados no Mercosul, política já adotada pela Argentina, segundo o relatório.
A médio e longo prazo são propostas ações de captação de recursos externos, garantia de renda e emprego agrícola, renegociação das dívidas rurais, importação de agrotóxicos, de melhoria da infra-estrutura da logística e escoamento das safras e programa de capitalização das cooperativas.


