As medidas de aumento no crédito destinado ao agronegócio, divulgadas segunda-feira pelo governo federal, foram bem recebidas pelo setor cooperativista do Paraná. ''Foi uma forma de reconhecer a importância do setor produtivo, que respondeu por 42% do PIB nacional em 2003'', afirmou o engenheiro agrônomo Robson Mafioletti, assessor técnico e econômico do Sindicato e Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar).
As cooperativas são diretamente atingidas por duas resoluções. Uma delas foi a inclusão de novos setores na lista do Programa de Desenvolvimento Cooperativo para Agregação de Valor (Prodecoop), que financia investimentos em agroindústrias e outras ações que agreguem valor à produção agropecuária.
A nova resolução permite, entre outros exemplos, o financiamento de unidades de beneficiamento de sementes e unidades de produção de leitões nos frigoríficos. Foram liberados R$ 450 milhões para esse programa no ano safra 2003/2004. Desse total, o Paraná já pleiteou R$ 140 milhões. Os juros praticados pelo Prodecoop são de 10,75% ao ano.
Outra decisão importante prevê que os bancos controlados por cooperativas de crédito poderão passar a captar recursos da poupança rural, assim com fazem o Banco do Brasil, o Banco do Nordeste e o Banco da Amazônia. ''A medida vai aumentar a captação de recursos que poderão ser emprestados aos produtores a custo mais baixo'', disse Mafioletti.
O governo federal também anunciou a liberação de R$ 400 milhões para financiar a colheita e a estocagem do café. Os recursos são oriundos do Funcafé, com juros de 9,5% ao ano. Também haverá concessão de crédito para a comercialização do café da safra 2003/2004 pela Linha Especial de Crédito (LEC). Os juros são de 8,75% ao ano.
Os beneficiários são os produtores rurais e suas cooperativas, os beneficiadores, indústrias e cooperativas de produtores rurais que beneficiem ou industrializem o café. O prazo de contratação é de até 31 de dezembro deste ano e o prazo de resgate de até 180 dias com vencimento máximo em 31 de março de 2005.
O governo anunciou, ainda, a alocação de mais R$ 250 milhões para o Moderfrota, que financia máquinário agrícola. Também para aquisição de caminhões, tratores e acessórios, foi lançado um programa de financiamento que permite a compra de veículos com até sete anos de uso. Nesse caso, o juro praticado é de 17% ao ano, com disponibilidade de R$ 2 bilhões até 31 de junho.
Algumas regras do Pronaf, que atende pequenos agricultores, também foram alteradas. Segundo Mafioletti, a principal vantagem é que o acesso aos recursos foi simplificado. A Federação da Agricultura do Paraná (Faep) aprovou as medidas, mas teceu algumas críticas à iniciativa. A principal ressalva, segundo o assessor da presidência da entidade, Carlos Augusto Albuquerque, é a não equalização de juros para o programa Moderfrota.

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