O prefeito de Itaperuna, Olivier de Paula, diz que as finanças do município ainda não foram afetadas pela crise. No ano passado, a Capil vendeu alguns terrenos, dentro de um programa de alienação de ativos, e o dinheiro acabou salvando os cooperados do calote. Todos receberam pelo fornecimento de novembro, com recursos retirados do caixa da Capil, já que a cooperativa só recebeu 30% do dinheiro devido pela Parmalat. ''Mas se a empresa não cumprir sua promessa, vamos ter que correr atrás para repassar o pagamento referente a dezembro'', prevê Montes Neves.
A fábrica de laticínios da Parmalat em Itaperuna tem capacidade para processar cerca de 500 mil litros de leite por dia. Em períodos de safra, a Capil entrega diariamente em torno de 80 mil litros à companhia e o restante é fornecido por outras 10 cooperativas e por grandes produtores, que negociam diretamente com a empresa. A cooperativa de Itaperuna vende ainda, por meio de uma marca própria, entre 30 mil e 35 mil litros de leite puro ou transformado em produtos como queijo e iogurte.
Já em Santo Antônio de Pádua, a situação é diferente. Apenas 15% da produção local é destinada à fábrica da Parmalat. O restante é vendido em mercados no Rio com a marca Pádua ou secado para virar leite em pó. A Parmalat tem uma dívida de cerca de R$ 100 mil com a cooperativa, que seriam suficientes apenas para quitar as dívidas com os cooperados referentes a novembro. Para os pagamentos de dezembro, será necessário desovar o estoque de leite em pó.
A crise fez a cooperativa local deixar de pagar uma parcela de juros de um empréstimo de R$ 1 milhão adquirido junto ao Banco do Brasil. ''É a primeira vez que isso acontece'', lamenta Valéria.

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