Curitiba Os trabalhadores da Cooperativa Consolata (Copacol), com sede em Cafelândia, decidiram aceitar a redução salarial em uma assembléia realizada na cidade no último sábado. De acordo com o presidente da Federação dos Trabalhadores em Cooperativas do Estado do Paraná (Fetracoop), Mauri Viana Pereira, 1.114 funcionários votaram na assembléia que teve 1.001 trabalhadores aceitando a proposta da cooperativa, 109 não aceitaram, três votos foram nulos e um em branco.
Com isso, nos primeiros 60 dias haverá uma redução de 10% nos salários e o porcentual pode chegar a até 20% num prazo de seis meses. A mudança entra em vigor a partir de 1º de abril. Não sofrerão reduções a participação nos lucros e resultados de 2005, o valor do vale alimentação, o pagamento das férias, o pagamento do 13º salário e as verbas rescisórias.
A Copacol vai reduzir os salários para evitar demissões. A contraprosposta da Fetracoop era que a cooperativa não alterasse os salários e demitisse os trabalhadores, pagando todos os direitos contratuais, seguro desemprego e demais verbas rescisórias. Mas com a garantia de recontratação dos mesmos funcionários dispensados após o término da crise do setor aviário.
''A expectativa é que a crise dure entre cinco a oito meses, neste período os trabalhadores ficariam em casa recebendo o seguro desemprego e com a certeza que serão recontratados pela Copacol'', disse ele. Na opinião de Viana, o setor cooperativista teve lucro nos últimos cinco anos e há oito anos está se beneficiando com a redução de impostos e taxas do governo federal e estadual.
A assembléia geral para definir se os trabalhadores concordam com a redução nos salários, foi uma sugestão apresentada pelo Ministério Público do Trabalho e o Ministério do Trabalho, durante uma mesa redonda envolvendo representantes da Fetracoop e da Ocepar, que aconteceu neste mês, na Delegacia Regional do Trabalho, em Curitiba.
Para o presidente da Associação dos Avicultores do Paraná, Alfredo Kaefer, os abatedouros de frango passam, atualmente, por ajustes no quadro de funcionários. ''O que está acontecendo é que não há reposição de funcionários ou antecipação de férias, mas a situação não é tão grave como a que está sendo divulgada'', disse. Segundo ele, apesar de o preço do frango estar em queda no varejo, o custo ainda não caiu para os criadores.
''No Paraná, a maioria trabalha em sistema integrado. O mercado não funciona com operações de compra e venda é uma parceria e, por isso, o preço não altera'', afirmou Kaefer.(Colaborou Fernanda Mazzini)

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