O Paraná é o segundo maior podutor de peixe de água doce do Brasil, com uma produção de 12 mil toneladas por ano, ficando somente atrás do Ceará com 18 mil toneladas/ano. O mercado é crescente mas existe certa dificuldade de ampliação da comercialização por ser abastecido por pequenos produtores. Outro gargalo é a sazonalidade do setor, já que no inverno, por exemplo, a produção cai.
Para minimizar o problema, um projeto pioneiro da Cooperativa Copacol de Cafelândia adotuou um sistema integrado com produtores de tilápia. O modelo usado é semelhante ao utilizado com aves e suínos. Valter Pitol, presidente da cooperativa, explica que a Copacol fornece todo o suporte necessário para os criadores, disponibilizando alevinos ou juvenis, insumos, transporte e toda a assistência técnica.
Pitol aponta que o único gasto que o produtor tem nesse processo é com a construção dos tanques. ''O produtor recebe os animais com 30 a 40 gramas de peso e nos entrega com 600 a 700 gramas cada um'', ressalta o presidente. A Copacol tem 120 integrados e abate entre 30 mil e 32 mil tilápias por dia, cerca de 20 toneladas. O sistema, segundo Pitol, já é um sucesso e a cooperativa tem planos para ampliar o número de integrados.
Para 2013, a meta da Copacol é processar 60 mil tilápias por dia, cerca de 40 toneladas. ''Para alcançarmos essa meta, estamos em busca de mais produtores e estamos fazendo parcerias com as cooperativas Cevada de Palotina e Copagril de Marechal Cândido Randon.'' Pitol ainda destaca que esse modelo tem o melhor custo-benefício para ambas as partes.
O presidente da cooperativa aponta que o piscicultor recebe por rendimento de filé. De acordo com ele, o filé corresponde em média a 30% do peixe. ''Quanto maior for o rendimento, melhor será a remuneração do integrado'', explica. A média de preços pagos aos piscicultores gira em torno de R$ 0,80 o quilo vivo. ''Temos pequenos e médios produtores, mas todos com alto grau de qualificação, pois estamos presentes no dia a dia do integrado'', observa.
Beneficiados
O piscicultor Leopoldo Marques Soares, de Cafelândia, se diz satisfeito com a parceria. Com um investimento inicial de R$ 20 mil, que saiu de seu próprio bolso, hoje o integrado recebe um lucro líquido de média de R$ 40 mil por ano. ''Ganho mais com a piscicultura do que com as minhas lavouras de soja e milho'', entusiasma-se Soares.
O sistema de integração do piscicultor é um pouco diferente, já que ele cria os alevinos recebidos pela Copacol até virarem juvenis. ''Recebo os animais com 1 grama e crio até chegarem a 30 gramas. A partir daí, a Copacol recolhe os juvenis e os repassa para outro produtor que engordará o animal até a terminação'', explica.
Com um ciclo que varia de 60 a 70 dias, Soares recebe R$ 0,05 centavos por animal. Mas enfatiza que esse processo é mais trabalhoso do que terminar o animal, já que a alimentação dos peixes é dada cinco vezes ao dia. Mesmo assim, o piscicultor reforça que esse processo é mais lucrativo do que a engorda. ''Não deixei de criar animais para terminação, pois a cada seis meses tiro um lucro de R$ 26 mil em 10 mil metros quadrados de lâmina d'água'', conclui.

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