Carambeí – Os suinocultores cooperados da região dos Campos Gerais vão atingir um novo patamar de tecnologia e produtividade a partir de agora. Ontem, a Frísia Cooperativa Agroindustrial - nova denominação social da até então Batavo Cooperativa Agroindustrial - inaugurou, na cidade de Carambeí, uma moderna Unidade de Produção de Leitões (UPL). O governador, Beto Richa (PSDB), e o secretário da agricultura, Norberto Ortigara, participaram do evento.
O investimento estrutural na UPL é de R$ 40 milhões, mais R$ 80 milhões nas propriedades por parte dos cooperados, além dos insumos e manejo. O aporte de investimentos são oriundos principalmente do Banco do Brasil, Banco Regional de Desenvolvimento Econômico (BRDE) e Sicredi. A área terá capacidade de alojamento de cinco mil matrizes, cada uma produzindo 30 leitões terminados por ano, o que totaliza 17,5 mil toneladas de carne anualmente.
Hoje, a Frísia conta com seis mil matrizes de suínos, mas que estão alocadas nas propriedades de 35 suinocultores cooperados. A partir de agora, a cooperativa vai ceder os animais para outros 35 cooperados apenas para a terminação, incrementando o processo. "Já temos uma tradição forte na criação de suínos, mas agora teremos foco na industrialização e comercialização através de uma marca no varejo chamada Alegra. A ideia é ajudar os cooperados na diversificação da propriedade, inclusive para que os filhos deles permaneçam nas atividades rurais", explicou o presidente da Frísia, Renato Greidanus.
Os animais terminados serão enviados a um frigorífico pertencente à Castrolanda, Frísia e Capal, localizado em Castro. A planta foi inaugurada há quatro meses e é fruto de uma parceria mercadológica entre as três cooperativas. Só a Frísia, com a UPL, será responsável por abastecer 25% do volume total de abate, atualmente de 2,4 mil suínos dia e que, em 2025, deve atingir o patamar de 9,3 mil suínos dia. "Nossa expectativa é enviar para o frigorífico em torno de 500 cabeças para abate dia quando as atividades de fato iniciarem. Os cooperados vão começar a receber os animais para terminação a partir de maio do próximo ano, mas as primeiras matrizes chegam aqui na UPL já neste mês", explica Greidanus. Quando o frigorífico das três cooperativas atingir uma capacidade de 70% do volume total, o faturamento anual deve ficar em torno de R$ 750 milhões ano. "Nossa expectativa é que em 10 anos possamos atingir, aqui na UPL, um total de 20 mil matrizes", salientou Greidanus.
O presidente da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), João Paulo Koslowski, também esteve na inauguração da UPL e enalteceu os investimentos das cooperativas dos Campos Gerais em 2015. "Na região temos oito cooperativas que, só este ano, já investiram R$ 900 milhões. Só a Frísia, Capal e Castrolanda são responsáveis por um terço deste valor. Este modelo de ação conjunta implementado na região já está sendo copiado em outras partes do País. Vale dizer ainda que o sistema cooperativista paranaense já cresceu 10% neste primeiro semestre, bem diferente da economia brasileira", relatou.
O secretário da agricultura, Norberto Ortigara, também valorizou a suinocultura paranaense, que graças a tais investimentos deve continuar crescendo nos próximos anos. "Nossa expectativa é que em 10 anos a produção de suínos no Estado cresça de 35% a 40%", complementou.

* O jornalista viajou para Carambeí a convite da cooperativa

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