Cooperativa experimenta tecnologia canadense para guardar soja
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segunda-feira, 07 de agosto de 2017
Victor Lopes<br>Reportagem Local 

A Cocamar é uma das cooperativas do Estado que provam que a supersafra deste ano, apesar de positiva, também traz dor de cabeça e gastos extras no que diz respeito à armazenagem. Pressionada pela falta de espaço para acondicionar os grandes volumes do grão, e levando em conta que guardava, ainda, uma parte considerável da safra de soja da temporada 2016/17, a cooperativa foi em busca de soluções.
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Além dos já tradicionais silos-bolsa, que estão armazenando 25 mil toneladas de soja nas cidades de Maringá e Nova Andradina (MS), a cooperativa apostou numa tecnologia canadense,utilizada pela primeira vez no Paraná. A empresa canadense AGI (Ag Growth International) trouxe ao País uma estrutura pré-montada e modular, que permite uma rápida montagem e também uma armazenagem eficiente, utilizando um sistema de aeração com fluxo de ar de acordo com a necessidade do produto, o qual fica protegido sob uma cobertura específica de polietileno reforçado, que garante segurança na armazenagem. O sistema de armazenamento temporário foi implementado em Primeiro de Maio, para 10 mil toneladas.
A Cocamar está experimentando a tecnologia em forma de comodato, e o custo gira em torno de R$ 1,2 milhão. A cooperativa possui capacidade estática de armazenagem de 1,2 milhão de toneladas de grãos, mas na recente colheita de soja, recebeu cerca de 1,3 milhão de toneladas. Já na safra de milho, a previsão é superar 1,2 milhão de toneladas - total de 2,5 milhões de toneladas.
O gerente de Operações com Produto, Márcio Kloster, explica que esse sistema de armazenamento temporário será mantido por seis meses. "Tão logo termine a remoção da soja dos armazéns tradicionais para o novo modelo, as quantidades serão cobertas e ficarão protegidas da ação do tempo". A cooperativa fará o acompanhamento diário, verificando o funcionamento do sistema de aeração.
Kloster relata que com esse aumento contínuo de produtividade e velocidade de colheita, o investimento em capacidade estática deve ser contínuo na cooperativa. "O ideal seria que nossa capacidade de recebimento fosse uma vez e meia maior (do que a safra). Por isso, vamos continuar nosso investimento em armazenagem e, para 2017/2018, esperamos um aumento inicial de 200 mil toneladas. Um investimento de R$ 70 milhões".
TAMANHO DO PROBLEMA
A expectativa da produção do Paraná, entre a safra 2016/17 de verão e inverno, é que ultrapasse a casa das 42 milhões de toneladas. A capacidade estática do Estado é de 29 milhões de toneladas, ou seja, atende neste momento apenas 70% do volume. De acordo com o a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), o coeficiente ideal seria de uma capacidade 20% superior para abrigar a safra, ou seja, pelo menos 50 milhões de toneladas por aqui.
O assessor técnico e econômico da Federação de Agricultura do Paraná (Faep), Nilson Hancke Camargo, ressalta que a situação já está se tornando rotineira nos últimos anos e deve seguir complicada até setembro. "Hoje já temos situação em alguns locais de soja armazenada a céu aberto, no Mato Grosso, já está em estado de calamidade. E se trata de volumes significativos. Uma situação similar a anos anteriores".
A capacidade estática de 29 milhões do Estado, aliás, nem pode ser pensada como volume total, pois em alguns locais a qualidade dessa armazenagem é bem ruim. Existem, por exemplo, armazéns antigos de café adaptados para sacaria entre outros formatos. "Isso tem feito com que as cooperativas criem soluções paliativas, como o sistema de armazéns infláveis. Mas são todos de pequena duração".
PREÇOS BAIXOS
Soma-se a isso o fato que os preços das commodities não fazem que o produtor pense em vender suas sacas tão cedo, principalmente quando se trata do milho, que chega em peso com a safrinha. De acordo com os números do Deral (Departamento de Economia Rural) da Seab (Secretária de Agricultura), até agora a colheita do milho safrinha está em 43%, mas as vendas em irrisórios 19%, contra 29% no mesmo período do ano passado.
Já no caso da soja, até julho foi vendido 64% dos 19,6 milhões produzidos, um pouco abaixo dos 75% da safra anterior. "Nos armazéns, temos soja, trigo e milho, sem contar o cereal que está chegando. No caso da soja, pelo menos a comercialização agora ganhou um pouco mais de ritmo, com o porto batendo recorde de movimentação com a oleaginosa diariamente, o que tem até aliviado um pouco a situação. Mas seguiremos até setembro com muita dificuldade".
Por fim, Hancke lembrou que uma alternativa para o futuro é o incentivo da armazenagem dentro das propriedades, isso se os juros permitirem a aposta dos produtores. "Quando o crédito do Programa de Construção de Armazéns (PCA) surgiu, à 3%, isso criou uma expectativa muito grande. Depois aumentou para a casa dos 6% e agora caiu um ponto percentual", complementa.


