A Cooperativa Agrícola Mista Vale do Piquiri (Coopervale), de Palotina, considera infundadas denúncias de que o projeto de integração para fornecimento de aves está se mostrando inviável, financeiramente, para os produtores. Também há contestação a juros cobrados pela cooperativa, para fornecimento de insumos, serviços e financiamentos. As denúncias foram apresentadas apés levamento feito por uma empresa de assessoria rural, contratada por alguns produtores.
O assunto foi publicado sábado pela Folha , que havia procurado a Coopervale para obter versão, mas a diretoria inicialmente havia decidido não se manifestar. Segundo o consultor Dayan César Alves de Almeida, da empresa de assessoria - de Goiânia (GO), e que atua no Oeste do Paraná -, o caso do avicultor Cláudio da Silva Pereira, de Palotina, associado da Coopervale, é ‘‘exemplar’’ para as denúncias. Pereira era um dos principais fornecedores da cooperativa, entregando para abate até 200 mil cabeças por ciclo de produção.
O produtor aderiu à integração no final de 97, tendo contraído financiamentos para implantar oito sofisticados aviários, motivado pela ‘‘promessa’’ de técnicos da cooperativa, de que, anualmente, descontados todos os gastos, teria lucro de R$ 118 mil. No entanto, em 98 teria acumulado prejuízo de R$ 56,7 mil. Decepcionado, já desativou quatro aviários e prepara a paralisação dos demais. Além disto, teria dívidas na conta-corrente na cooperativa sobre as quais em alguns casos os juros cobrados chegam a 233% ao ano.
A Coopervale, que abate diariamente 75 mil aves fornecidos por 115 integrados, acabou se manifestando através de Nota, na qual assegura, sem dar detalhes, que os débitos acumulados por Pereira se referem a recursos que lhe foram liberados ‘‘basicamente pelo crédito oficial de custeio agrícola’’. Segundo a Coopervale, o associado, que também produz soja, já teve safra penhorada, junto à própria cooperativa e ao Banco do Brasil, pelo não pagamento de débitos, ‘‘mas ainda assim não entregou a safra’’.
Sobre a integração para o fornecimento de frangos, relata que o produtor já obteve receita ‘‘de R$ 257 mil’’ com aves, mais R$ 50 mil com o fertilizante resultante de dejetos dos aviários, e a esse valor se somarão mais quatro lotes de frango em final de criação.

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