Cooperativa centralizará venda de álcool
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terça-feira, 27 de abril de 1999
Vânia Casado 
A Brasil Álcool S/A deve criar ainda esta semana uma cooperativa para centralizar a comercialização dos estoques das suas destilarias. A empresa foi criada há cerca de dois meses e reúne cerca de 150 destilarias de São Paulo, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul. O objetivo da iniciativa é acabar com o canibalismo e a concorrência predatória que está ocorrendo entre as destilarias de álcool, provocando a redução drástica nos preços do produto.
A expectativa da empresa era iniciar suas operações com um capital de 1,2 bilhão de litros, mas já conta com 1,7 bilhão de litros. Esse volume continua estocado nas usinas, mas foi repassado para integralizar as cotas de cada empresa no capital social da Brasil Álcool.
Os detalhes para a venda centralizada de álcool deverão ser decididos até sexta-feira, informou o superintendente do Sindicato da Indústria do Álcool e Açúcar do Estado do Paraná, Adriano da Silva Dias. Além dos estoques antigos, a idéia é comercializar de forma centralizada os 12,5 bilhões de litros de álcool, que começam a ser produzidos nesta safra, que vai de maio de 1999 a abril de 2000.
Para Dias, essa foi a fórmula identificada pelo setor para regular o mercado, onde o canibalismo estava acabando com as empresas, que tentam sobreviver à crise. A expectativa da central é recuperar os prejuízos acumulados nos últimos dois anos, quando o governo federal liberou o setor, e os preços caíram drasticamente. Na época da liberação, as usinas vendiam o álcool hidratado pelo preço de tabela, que era de R$ 0,41 o litro. Hoje, tem usina que vende o produto por até R$ 0,17 o litro para não perder mercado, afirmou.
Enquanto isso, os consumidores continuam pagando até R$ 0,70 o litro na bomba de gasolina, lembrou Dias. Ele disse que não é mais possível desembolsar cerca de R$ 0,30 para produzir um litro de álcool e vender o produto por R$ 0,17. Se a situação não se reverter, muitas empresas vão falir, alertou. Com a central de vendas, a idéia é sanear o setor com a organização da comercialização, completou.
Dias argumentou que se todas as destilarias ficarem com um pouco de estoque dá para suportar a crise. Agora, não dá para uma empresa desovar toda sua produção a preços abaixo do mercado e outra carregar sozinha o estoque. O superintendente do Sindicato da Indústria de Açúcar e Álcool disse que as grandes distribuidoras de álcool também estão interessadas na organização do setor. Isso porque elas também sofrem a concorrência de distribuidoras menores, que sonegam impostos e tumultuam o mercado, provocando a queda de preços. Se a iniciativa de centralização das operações de venda for bem-sucedida na região Centro-Sul, a intenção da Brasil Álcool é expandir essa prática para as 340 empresas produtoras de álcool hidratado no País, afirmou.


