Cooperação, a chave para crescer
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quinta-feira, 13 de julho de 2006
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Lançado em setembro de 2005, o Arranjo Produtivo Local (APL) de moda masculina da região Sudoeste já é o maior do Estado. Reúne 415 indústrias de confecção de 22 municípios da região, que geram emprego direto a 6 mil pessoas e produzem 16 milhões de peças. Junto com os APL's de Apucarana, que produz bonés; de Arapongas, primeiro pólo moveleiro do Brasil; e de Cianorte, produtora de confecções, esses quatro grupos empresariais são os únicos, entre os 14 APL's constituídos no Estado que conseguiram transpor as divisas do País, e estão exportando seus produtos.
Para o consultor da Câmara de Comércio de Milão, Bruno Frigero, a pouca inserção das indústrias no mercado exterior é resultado de uma cultura de não cooperação entre as empresas. Na Itália, conta, os APL's ou distritos industriais, como também são chamados, fortaleceram após o evento da globalização. ''As empresas viram que tinham que ter uma produção com elevada tecnologia e qualidade e quantidade significativa para poder competir'', afirma Frigero. Ele esteve em Curitiba, a convite da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), para o 1º Encontro dos Arranjos Produtivos Locais, que durante dois dias reuniu na Capital empresários envolvidos em APL's de todo Estado.
É esse o desafio que o Arranjo Produtivo Metais Sanitários de Loanda e Região está enfrentando. ''Tínhamos 15 indústrias que não cooperavam entre si, eram concorrentes em potencial'', conta o empresário Henrique Oda Torres. A partir de 2004, com apoio da Rede APL Paraná, elas começaram a se organizar, fundaram uma associação representativa e realizaram cursos de capacitação de mão-obra.
O principal resultado, para Torres, foi o acesso facilitado para linhas de crédito, o que não acontecia individualmente. As 15 empresas geram 3 mil empregos e produzem cerca de 700 mil peças prontas por mês. Ele acredita que nesse período, a produção cresceu 15%. Para aumentar a qualidade e competitividade, o grupo estuda a possibilidade de especializar cada indústria na fabricação de alguns tipos de torneira.
O trabalho de apoio aos APL's, feito em conjunto pelo Sistema Fiep, Governo do Paraná, BRDE e Sebrae, começou junto a quatro aglomerados produtivos em 2004. Em 2005, estudo do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) apontou a existência de 22 APL's no Estado. Hoje, a Rede APL Paraná abrange 14 APL's com cerca de 400 indústrias em todo Estado.
''É um trabalho demorado, exige organização, capacitação, consultoria. E se não tiver governança, que é o comitê gestor que vai responder pela APL, não fuinciona'', explica Cristiane Stainsack, coordenadora da área de APLs do sistema Fiep. Ela ressalta, ainda, que o crescimento dos aglomerados industriais resultam, também, em desenvolvimento econômico para toda região.
É o que vem ocorrendo na APL de Derivados da Mandioca, que engloba 80 indústrias de fécula, farinha de mandioca e polvilho azedo de Paranavaí e 29 municípios da região. O setor gera 15 mil empregos diretos, incluindo trabalho para 2,5 mil produtores rurais. Com apoio da Rede APL Paraná e Federação da Agricultura do Estado (Faep), os empresários buscam novas alternativas de uso da farinha de mandioca. Hoje, só de glucose de mandioca (adoçante de uso industrial) eles produzem 5 mil toneladas por mês, sem falar em outras novidades, como o mix para pão de queijo e a mandioca chips.


