Coopavel fatura R$ 700 milhões
PUBLICAÇÃO
sábado, 07 de janeiro de 2006
Mara Vitorino<br>Especial para a Folha 
Os problemas sanitários, a baixa cotação da soja em grão, a valorização do real frente ao dólar e principalmente o clima, criaram uma série de dificuldades para o agronegócio em 2005. Apesar disso, a Cooperativa Agroindustrial de Cascavel (Coopavel), registrou faturamento de R$ 700 milhões e lucro de R$ 20 milhões. Os números, correspondentes ao balanço fechado no dia 20 de dezembro, foram fornecidos à Folha de Londrina pelo presidente da empresa, Dilvo Grolli. ''Temos a comemorar, pois atravessamos um período difícil e mesmo assim obtivemos lucro e bons resultados''.
Em dezembro a Coopavel completou 35 anos. Nos últimos 10 anos o crescimento foi surpreendente, com investimentos no sistema de cadeias produtivas, que colocam a produção dos associados bem próxima da indústria e do consumidor. O resultado de uma visão econômica plural e globalizada deu tão certo que a lucratividade passou de R$ 1,1 milhão, em 2003, para R$ 31 milhões em 2004. ''Tivemos este pequeno recuo no ano passado em decorrência dos problemas na agricultura, mas sem comprometimento algum com o crescimento da Cooperativa, que mantém suas metas de expansão e investimentos''.
Grolli disse que o saldo positivo dos últimos anos e também de 2005 se devem a estratégia de diversificação da produção, aliada a um sistema integrado de cadeias produtivas, em que o produtor da Coopavel tem alicerce para produzir com qualidade, sistema de entrega da produção e sistema de integração viável (veja texto nesta página).
No total, a Coopavel se sustenta em seis cadeias produtivas: de insumos, de grãos (soja, milho e trigo), da industrialização de frangos, de suínos e, por último, de carne bovina. ''Sempre nos perguntam qual a estratégia e eu respondo, a diversificação da, a integração do produtor com a cooperativa; agregação do valor à produção, transformando a proteína da soja e do milho em carne e leite. Assim fortalecemos a empresa e, principalmente, o produtor'', diz.
Em cinco anos o lucro triplicou, passando de R$ 9,9 milhões, em 2000, para R$ 31 milhões no ano passado. Com essa cifra, os investimentos efetuados pela empresa deram um salto astronômico, contrariando previsões não otimistas. Em 2000, a cifra foi de R$ 13,6 milhões, em 2001, de R$ 16,1 milhões, em 2002, de R$ 17,6 milhões, em 2003, de R$ 25,3 milhões, em 2005, de R$ 25 milhões, somando nada menos que R$ 140,6 milhões.
Grolli frisou que neste período houve um salto quantitativo e qualitativo no setor de agronegócios culminando em investimentos na capacidade armazenagem, ampliação e modernização das indústrias. ''Nos últimos dois anos, os investimentos foram de aproximadamente R$ 43 milhões, dos quais 50% de verba própria'', diz.
Grolli disse que o melhor de tudo isto é que metade do dinheiro é oriundo da própria Coopavel e o restante financiamento. Ao mostrar os números desde 1995, o presidente explica que de lá para cá o investimento foi de R$ 173 milhões, com o maior montante em seis anos.
Como no ano anterior, a área industrial continuou sendo o carro-chefe da empresa, responsável por 70% do faturamento da cooperativa contra 65% de participação de 2004. A comercialização de insumos participou com 20%, os produtos agropecuários com 7% e a prestação de serviços participaram com 3% no faturamento da empresa.
O resultado positivo rendeu à Coopavel muitos prêmios e reconhecimento internacional. O mais recente é o da Revista Isto É Dinheiro, que elegeu a cooperativa como a melhor empresa do setor de agronegócios no País. Para 2006, a expectativa é ampliar ainda mais a capacidade de armazenagem, recuperar o preço das principais commodities, como soja e milho, ter uma boa safra de verão e manter os investimentos no setor industrial.


