Conversão ao euro vai custar mais que o bug para empresas
Eurocéticos estão usando a cifra gigantesca para reforçar campanha contra adoção da moeda
Arquivo FolhaMOEDA COMUMMoeda gigante de um euro, exibida no lançamento do dinheiro europeu
Kevin Brown
De Londres
As grandes companhias européias estimam que a conversão ao euro moeda única de 11 países europeus custará para cada empresa cerca de US$ 56,4 milhões aproximadamente cinco vezes o custo para enfrentar o chamado bug do milênio. O dado foi divulgado em uma pesquisa publicada nesta semana pelo grupo de auditoria e serviços empresariais KPMG. Os gastos mundiais para resolver o problema do milênio foram estimados em cerca de US$ 400 bilhões, dos quais pelo menos 25% foram gastos na Europa.
Os números foram imediatamente adotados pelos adversários políticos da adoção do euro no Reino Unido, a maior economia européia fora da zona da moeda unificada. Segundo os chamados eurocéticos que desaprovam a união monetária , esta é uma nova evidência dos custos inaceitáveis da adesão, com a qual o governo britânico está em princípio comprometido. Isso significa que a conversão ao euro pode custar à economia britânica mais de 100 bilhões de libras esterlinas (US$ 165 bilhões), disse a organização Business for Sterling, que promove campanhas contra a adesão à união monetária européia.
A pesquisa da KPMG envolve empresas com mais de 5.000 funcionários na União Européia e na Suíça. Segundo a consultoria, as empresas esperam gastar em média 25,8 milhões de euros (cerca de US$ 26 milhões) para o setor de tecnologia de informação que será envolvido na conversão. Isso se compara a uma estimativa de custos da ordem de 16,8 milhões de libras (US$ 27,7 bilhões), constatada em uma pesquisa semelhante realizada um ano atrás. O resultado sugere que as empresas começaram a se concentrar de forma mais atenta aos detalhes do processo de conversão, agora que o bug do milênio se tornou coisa do passado.
Os custos de prazo mais longo, incluindo maior transparência de preços e salários mais elevados em alguns países, são estimados em cerca de 30 milhões de euros (cerca de US$ 31 milhões) para cada companhia de grande porte. A maior parte desses custos deve ser absorvida na forma de uma redução nas margens de lucros, segundo o relatório da KPMG.
A pesquisa sugere que a crescente transparência de preços está causando queda nos valores praticados por muitas empresas e provocando temores quanto a aumentos de salários em alguns países. Esse dinamismo contribui para uma visão negativa do impacto de curto prazo da moeda unificada sobre os lucros das companhias.
O estudo levanta também a perspectiva de uma escassez renovada de especialistas em tecnologia da informação. A Europa se aproxima de janeiro de 2002, o prazo limite para a introdução das cédulas e moedas de euro, e, ao mesmo tempo, muitas empresas ampliam seus investimentos no setor de comércio eletrônico. A pesquisa mostra que Itália, Alemanha e os países do Benelux (Bélgica, Holanda e Luxemburgo) conquistaram o maior progresso na conversão, com cerca de 20% de suas empresas dizendo que o euro já se tornou sua moeda básica. Cerca de 80% das empresas disseram à pesquisa que terão completado sua conversão à nova moeda até o final de 2001, apesar de todos os gastos envolvidos.





