Convenção dos comerciários segue sem acordo
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quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Gisele Mendonça<br>Reportagem Local 
Há mais de quatro meses em discussão, a Convenção Coletiva de Trabalho do Comércio Varejista de Londrina e Região 2009/2010 ainda não foi fechada. Sem acordo entre os sindicatos patronal e dos empregados, houve intervenção da Delegacia Regional do Trabalho. Os principais pontos de divergência são a abertura das lojas aos sábados e o reajuste do piso salarial, hoje fixado em R$ 523. Os trabalhadores pedem aumento de 16% (R$ 611) e os empregadores oferecem em torno de 10% (R$ 580).
Segundo o gerente regional do Trabalho e Emprego em Londrina, Dorival Arantes, representantes do Sindicato dos Empregados no Comércio de Londrina e do Sindicato do Comércio Varejista de Londrina (Sincoval) já foram ouvidos separadamente e para amanhã está agendada uma nova reunião com a classe patronal. ''Nossa função é aproximar as partes. A expectativa é fecharmos acordo'', afirma Arantes. Ele informa que a intervenção do Ministério do Trabalho, a chamada mesa-redonda, é prevista em lei para os casos onde não há acordo. A convenção 2008/2009 expirou em 30 de abril.
Segundo José Lima do Nascimento, presidente do sindicato dos empregados, a reivindicação do piso de R$ 611 é para obter equivalência com o salário mínimo do governo do Estado. ''Não podemos aceitar menos. Isso é o mínimo necessário para o empregado ter o seu sustento'', diz. Quanto aos sábados, ele observa que a proposta dos empregados é a abertura nos dois primeiros sábados do mês - como prevê a última convenção - e as lojas que quiserem estender o horário nos demais sábados devem negociar separadamente com os funcionários.
Conforme o assessor jurídico do Sincoval, João Vicente Capobiango, a classe patronal considera ''inadmissível'' o reajuste do piso em 16%. ''Nenhum empresário está preparado para um reajuste nesta proporção. Não estamos falando só do salário nominal, mas da folha de pagamento como todos os seus encargos'', pondera. Ele argumenta que, segundo a legislação estadual, o salário mínimo do Paraná atende somente as categorias sem organização, que não é o caso dos comerciários.
Quanto ao horário, Capobiango diz que o Sincoval vai insistir na proposta de abrir até as 18 horas todos os sábados. A compensação seria negociada caso a caso, com banco de horas, hora extra ou escala de jornadas. ''Como podemos aumentar salário se hoje não temos nem liberdade de horário de trabalho'', observa.
Em relação ao vencimento para os comerciários que ganham acima do piso já houve acordo entre as partes. ''Queríamos 8%, mas já admitimos 7%'', diz Lima. Na região de abrangência do sindicato dos empregados - Londrina e mais 18 municípios - são cerca de 20 mil comerciários.


