As negociações salariais entre comerciários e empregados estão emperradas. Desde maio (data-base da categoria) já foram realizadas várias rodadas de negociação, mas não há consenso quanto à aplicação do reajuste nos vencimentos dos trabalhadores. O Sindicato dos Empregados no Comércio de Londrina pleitea um aumento de 13,34% para quem recebe o piso e 7,98% para os comissionados. Já o Sindicato do Comércio Varejista de Londrina (Sincoval) oferece entre 7% e 8% (INPC - índice oficial da inflação - mais ganho real).
  Atualmente o piso é de R$ 472 para comerciários e R$ 519 para os comissionados. ‘‘Esperamos sensibilizar um pouco os empresários. A proposta é igualarmos os salários de Londrina com o piso regional do Paranᒒ, comentou José Lima do Nascimento, presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio. O pedido é elevar o piso dos comerciários para R$ 535, enquanto os comissionados passariam a receber R$ 560. Já o advogado do Sincoval, João Vicente Capobiango, afirma que não há como igualar o piso local com o regional.
  ‘‘Consultamos outros Estados e ninguém segue (o piso regional) até porque não há parâmetros para definir o índice de reajuste’’, alega Capobiango. No Paraná, segundo ele, Curitiba e Maringá também não seguem o piso estadual. Ele acrescentou que o sindicato dos empregados está inflexível quanto à negociação e que já foram elaboradas ‘‘várias contra-propostas’’ e que todas foram rejeitadas. ‘‘A nossa orientação, inclusive, é que os empresários antecipem algum reajuste a seus funcionários para que depois não acumulem muita diferença quando a convenção for fechada’’, diz.
Liquidação
  A campanha promocional, que acontecerá em agosto, lançada pela Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) e Prefeitura também depende de negociação entre os dois sindicatos. A proposta é trabalhar em horário especial, nos dias 15 e 16 de agosto. No primeiro dia (sexta-feira), o atendimento deverá ocorrer até às 21 horas e, no segundo (sábado) até às 18 horas. No entanto, até agora não foi fechado acordo aditivo à Convenção Coletiva de Trabalho.
  Os comerciários pedem 70% de hora-extra mais R$ 8 de vale alimentação. A proposta deve ser aceita porque é semelhante ao acordo firmado entre as partes em maio, para funcionamento especial da campanha do Dia das Mães. Além disso, os dois sindicatos participaram das reuniões que discutiu os moldes da campanha. Segundo o presidente da Acil, Marcelo Cassa, a ‘‘Londrina Liquida’’ foi criada com o objetivo de ‘‘otimizar’’ o grande número de pessoas que estarão na cidade para participar da Feira do Empreendedor, promovida pelo Sebrae.
  O evento será realizado entre os dias 14 e 17 de agosto e é esperada participação de cerca de 12 mil pessoas. Na ocasião, serão ofertadas oportunidades de negócios que variam de R$ 100 a R$ 400 mil. ‘‘Pretendemos aproveitar todo o movimento (da feira) e fazer uma grande liquidação’’, comenta Cassa. A proposta é envolver mil estabelecimentos comerciais, entre varejo, indústria, hotéis, bares, restaurantes e táxis. Os índices de desconto serão definidos pelos próprios empresários.
  Os táxis, por exemplo, não cobrarão bandeira 2 (horário noturno) para translado da Feira do Empreendedor à região central. Para participar da Londrina Liquida, os lojistas devem comprar uma cota no valor de R$ 30 e terão direito a um ‘‘kit merchandising’’ e ainda poderão explorar a marca da campanha em sua própria mídia. ‘‘Se esta campanha der certo poderá vializar outras futuras e, quem sabe, teremos boas surpresas para a campanha de Natal’’, observa o presidente da Acil.
  Com a promoção, a perspectiva é manter os mesmos patamares de vendas deste ano: entre 7% e 15% de crescimento. ‘‘A data (da Feira do Empreendedor) foi escolhida a dedo porque vai movimentar a cidade em uma época de entressafra. O dinheiro vai circular e vai estimular a cidade’’, observa Cassa.

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