Controle deve envolver toda América do Sul
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sábado, 29 de outubro de 2005
Agnaldo Brito<br> Agência Estado 
São Paulo - O ressurgimento da febre aftosa no Estado de Mato Grosso do Sul colocou em xeque a crença de que o controle da doença repousa exclusivamente nas campanhas estaduais de vacinação do gado. Até as autoridades dos órgãos de defesa animal admitem que há, sim, espaço para o vírus se manifestar em gado vacinado. Espaço pequeno, mas existe.
''Não acho salutar esta polêmica sobre a vacina. Se a vacinação não fosse eficaz no Mato Grosso do Sul, o surto seria muito mais violento do que foi até agora'', retruca João Cavalléro, diretor-presidente da Agência Estadual de Defesa Animal e Vegetal (Iagro). Segundo Cavalléro, a ''resposta'' à vacina é distinta em cada ''indivíduo''.
Mas os flancos encontrados pelo vírus nas fazendas Vezozzo, Jangada e nas áreas de assentamento de Eldorado e Japorã foram aproveitados por outra falha: a falta de controle sobre animais que transitam na fronteira entre o Brasil e o Paraguai.
Além da vacinação, a pecuária brasileira descobriu no episódio de Mato Grosso do Sul que também precisa dominar uma faixa de milhares de quilômetros hoje sem qualquer controle. O próprio Departamento de Operações de Fronteira (DOF) concluiu na investigação que o ingresso de animais doentes no Brasil, por Japorã, foi a forma de entrada para o vírus na ex-zona livre de aftosa.
Hugo Idoyaga Benitez, diretor do Serviço Nacional de Qualidade e Saúde Animal (Senacsa), a agência de defesa sanitária do Paraguai prefere não polemizar e lança um desafio para os diplomatas sul-americanos. ''O inimigo é o vírus da aftosa, não um ou outro país. É fundamental a troca de informações, a cooperação técnica e a disposição de acabar com esse inimigo comum'', diz.
Uma das conclusões da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados foi a de que ou os países sul-americanos buscam formular um programa comum de erradicação do vírus na região ou o ambiente de acusações continuará a dividir duas vítimas do problema.


