Controle de usina trará economia ao Paraná
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terça-feira, 14 de fevereiro de 2006
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba O Paraná pode economizar até R$ 1,4 bilhão a partir do momento que retomar o controle total da Usina Termelétrica a Gás de Araucária (UEG). A afirmação é do governador Roberto Requião que comentou o assunto durante a reunião da Escola de Governo realizada ontem.
Na última segunda-feira, a direção da Companhia Paranaense de Energia (Copel) foi autorizada pelo Conselho de Administração da Companhia a negociar com a El Paso e a Petrobras uma solução para a usina termelétrica UEG Araucária que foi inaugurada em 30 de setembro de 2002 e nunca entrou em operação.
Foram investidos US$ 300 milhões na usina, sendo que, 20% deste valor foram aplicados pela Copel já que a estatal tem 20% de participação acionária no negócio. A americana El Paso tem 60% de participação na usina e a Petrobras 20%.
De acordo com a assessoria de imprensa da Copel ainda não foi oficializada nenhuma proposta entre os três acionistas. A Copel informou ainda que não pode avançar em um conteúdo de proposta antes que haja um acordo e que as diretorias da El Paso e da Petrobras autorizem o início das negociações em âmbito de diretoria. Segundo informações do Governo do Estado do Paraná, os conselhos da Petrobras e da El Paso devem autorizar, nos próximos dias, a negociação de um acordo com a estatal paranaense. A reportagem da Folha ligou diversas vezes para as assessorias da El Paso e da Petrobras mas os telefones só davam sinal de ocupado durante a tarde toda.
O presidente da Copel, Rubens Ghilardi, vê possibilidades de um bom acordo em atendimento ao interesse da estatal e da população. ''Os entendimentos entre os sócios agora sobem do nível técnico ao nível das diretorias, o que evidencia a boa vontade e a receptividade mútua em busca de uma solução aos problemas'', frisou.
A usina foi avaliada por técnicos da Copel, da empresa norte-americana Calpine e por duas auditorias realizadas por consultores europeus que identificaram problemas que impedem o funcionamento.
Mesmo sem conseguir operar a usina, a UEG pleiteava no Tribunal Arbitral do Comércio Internacional de Paris o cumprimento do contrato que obrigava o Estado a comprar a energia produzida por R$ 300 milhões ao ano. Com correção, este valor chegou a R$ 1,4 milhão.
Em vez de pagar R$ 1,4 bilhão, o Estado do Paraná está negociando com a Petrobras e a El Paso a redução desses valores, além da compra dos 60% que a multinacional norte-americana detém na usina. Dessa forma, a Copel passa a assumir o controle total da termelétrica. Segundo cálculos apresentados pelo governador, a economia ao Paraná pode chegar a R$ 1,25 bilhão.
Para superar as falhas do projeto e colocar a usina em operação, o governador propõe converter a UEG numa usina mista, a gás e a diesel. A potência que pode ser gerada pela unidade seria suficiente para atender praticamente a toda a demanda da cidade de Curitiba. Segundo Requião, a Petrobras já anuiu com a negociação.


