Controle de dejetos preocupa indústria e produtor do PR
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quarta-feira, 31 de março de 1999
Vânia Casado 
A destinação dos dejetos suínos está tirando o sono de indústrias, produtores e governo. Se antes, esses setores não se preocupavam com o assunto e os dejetos eram jogados em rios e fontes d água, hoje ele ameaça até as exportações de suínos e derivados. Ocorre que com as regras do novo código florestal, 50% das propriedades suinícolas do Paraná correm o risco de serem inviabilizadas econômicamente porque não estão de acordo com a legislação ambiental.
O assunto foi debatido ontem na Assembléia Legislativa, onde o Bloco Parlamentar Agropecuário reuniu os diversos segmentos da cadeia produtiva de suínos, técnicos e médicos veterinários. Ficou claro que a execução de um amplo programa de tratamento de dejetos de suínos depende de crédito para financiar os produtores a investirem em equipamentos de tratamento dos dejetos nas propriedades. E também de recursos para financiar a pesquisa para desenvolver tecnologias de tratamento mais baratas.
Durante o encontro, o presidente da Associação Catarinense de Suinocultores, Paulo Tramontina, falou da experiência de seu estado na execução de um empreendimento dessa natureza. Segundo Tramontina, 85% do plantel de suínos ligados à indústria, em Santa Catarina, são atendidos com tratamento de dejetos. O programa foi implantado em 1995, com recursos do BNDES. Dos R$ 100 milhões previstos para financiar os produtores, foram aplicados R$ 70 milhões, que atenderam aproximadamente 5.000 produtores.
Depois disso, a suinocultura entrou em uma fase crítica e no ano passado, os produtores catarinenses não tiveram mais como pagar as taxas do financiamento. Segundo Tramontina, os produtores ficaram inadimplentes e a dívida avançou para R$ 150 milhões.
A questão ambiental também está preocupando grandes empresas como a Sadia. O representante da empresa, em Toledo, Norberto José Manz, disse que a falta de crédito e juros compatíveis com a atividade é o maior empecilho para que os produtores invistam em equipamentos de tratamentos de dejetos. Segundo Mans, a Sadia quer mais prática do que discurso dos órgãos governamentais envolvidos. Isso porque a suinocultura é um segmento econômico importante no Estado, que faturou em 1996 R$ 350 milhões e está presente em 137.000 propriedades do Paraná.


