Controle das importações pelo Brasil assusta vizinhos
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quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Ariel Palacios<br> Agência Estado 
Buenos Aires - As medidas brasileiras que aumentam o controle sobre as importações, anunciadas na segunda-feira em Brasília, causaram surpresa e irritação em todos os sócios do Mercosul. Na Argentina, Paraguai e Uruguai os empresários pedem que o governo brasileiro faça alguma espécie de exceção para os produtos dos sócios do bloco do Cone Sul.
Informações extraoficiais indicavam ontem que o próprio presidente uruguaio, Tabaré Vázquez, telefonaria ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para pedir que o Brasil não aplique os controles sobre as importações de produtos provenientes dos sócios do Mercosul.
Vázquez e seus ministros, nos últimos meses, insistiram na necessidade de impedir que a crise mundial leve os países a medidas protecionistas. Dentro do governo uruguaio existe o temor de que o obstáculo não-alfandegário aplicado pelo Brasil possa gerar incertezas entre os investidores internacionais sobre as chances de negócios dentro do Mercosul.
Os controles poderiam afetar 35% das exportações uruguaias ao Brasil, afirmaram analistas em Montevidéu. O mercado brasileiro é o principal destino das vendas do Uruguai ao exterior. No total, o Brasil absorve 16,6% das exportações uruguaias. Entre os produtos estão o trigo, têxteis, malte (altamente competitivo nos mercados internacionais), cevada e plásticos.
No Paraguai, as medidas brasileiras estimularam as costumeiras críticas realizadas em Assunção contra o Mercosul. Há vários anos é forte no país a percepção de que o Paraguai não conseguiu vantagens significativas com a sociedade comercial com o Brasil, Argentina e Uruguai. ''Essa é outra 'pérola' contra a integração'', disparou Gustavo Volpe, presidente da União Industrial Paraguaia (UIP), em referência à medida anunciada pelo Brasil.
Segundo Volpe, ''é triste que o Paraguai abra cada vez mais seu mercado para as invasões de produtos brasileiros e argentinos, enquanto que, os 'grandes sócios' do Mercosul protegem cada vez mais seus respectivos mercados''. As críticas no Paraguai são destinadas tanto ao Brasil como para a Argentina, já que produtos têxteis paraguaios são alvo de restrições aplicadas pelo governo argentino desde o ano passado, afirmam os empresários em Assunção. Volpe afirma que - com frequência - nestes 18 anos de existência do Mercosul, o Brasil e a Argentina ''não se cansaram de inventar'' obstáculos tributários e alfandegários.
Na Argentina, o governo da presidente Cristina Kirchner permanecia hoje em ''stand by'', avaliando a medida brasileira. Os integrantes do governo estavam divididos sobre a gravidade da decisão tomada em Brasília. ''Temos que ver se isso nos afetará mesmo ou não'', explicaram fontes ao Grupo Estado. O argumento era que, se as licenças automáticas implicarem em atrasos de apenas 48 horas na liberação da entrada dos produtos, não haverá problemas. ''Mas, se nossos produtos ficarem mais de dois dias seguidos, aí teremos que tomar medidas'', explicaram. Por enquanto, segundo fontes, o governo Cristina não realizará retaliações comerciais.


