A ditadura dos tempos modernos avisa: seja feliz o tempo todo, consumindo... Quem decide seguir esse lema - e não são poucos, conforme especialistas - acaba muitas vezes endividados, em depressão e estressados. ''As pessoas são insatisfeitas por natureza, buscam em algum bem ou serviço o prazer e a satisfação, mas nunca estão completas. E o problema aumenta porque do outro lado está o mercado, oferecendo mil e uma opções'', descreve a psicóloga Vânia Vargas.
Segundo ela, as pessoas consomem porque acreditam que a insatisfação será resolvida com a aquisição de determinado produto, o que gera momentaneamente uma ótima sensação - com duração limitada até o próximo consumo. ''Em seguida, a insatisfação mostra novas necessidades numa repetição desta história, que é o que movimenta a economia'', diz Vânia.
Essa ligação entre uma compra e outra, gera um estresse sem tamanho, conforme a especialista, pois a sensação de completude e de poder gerada pelo consumo é muito pobre, curta e fugaz. Essa situação gera inconformismo, endividamento e, não raro, depressão. ''As regras de mercado não são justas, nem tão nobres: se apoiam no lucro de uns e no endividamento de outros'', resume a psicóloga.
Fora o estresse e o nervosismo com o endividamento, e o fato de todo mês fechar a conta no vermelho, o consumo desmedido pode causar um problema ainda maior que é a não realização de sonhos: por exemplo, a casa própria, um carro ou até mesmo uma carreira. Especialistas comentam que não é preciso que a pessoa se transforme em um pão duro ou deixe de aproveitar a vida, mas sim que reveja os seus hábitos, para se transformar em um poupador bem sucedido.
Segundo a psicóloga, o que não pode acontecer é tornar-se escravo desta engrenagem consumista, que é alicerçada pela facilidade de crédito e por formas cada vez mais disfarçadas de promoções, liquidações e de um comércio que se apresenta como bonzinho.
De acordo com Vânia, existem alguma saídas para evitar esses transtornos. ''O equilíbrio pode estar no resgate de coisas simples e gratuitas: a essência das coisas e das relações'', comparou. A idéia é que se procure viver experiências mais baratas e qualitativamente mais ricas. Por exemplo, ao invés de ir passear em um shopping - onde a exposição ao consumo é grande - escolher um área ao ar livre, um parque, à beira do lago. Ou ainda reunir a família e os amigos para um almoço, ao invés de ir comer em um fast food.
Entretanto, se o problema for muito grave, se houver um distúrbio, se for uma compulsão incontrolável, a alternativa pode ser procurar uma ajuda especializada. ''Um profissional da área pode ajudar a pessoa a encontrar a origem do problema que a faz ser tão consumista'', concluiu.

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