Contriguaçu e PF apuram cargas fictícias
Paulo Pegoraro
A diretoria da Cooperativa Central Regional Iguaçu (Cotriguaçu), de Cascavel , manifestou-se ontem sobre operações envolvendo seu Terminal Portuário do Porto de Paranaguá, no qual foi detectada a entrada de notas de cargas de soja, sem a respectiva descarga do produto, para embarque em navios. O caso, noticiado quarta-feira pela Folha , motivou Nota de Esclarecimento da Cotriguaçu, e seu presidente, Fábio Rosso, que afirmou que estão sendo apurados envolvimentos, através de inquérito que requisitou à Polícia Federal (PF), e com ações da própria organização.
Três funcionários do Terminal, que atuavam na ponta da fraude, já estão desligados, e é investigada uma empresa de Erexim (RS), a Agrafelt, para que se apure sua participação, porque as notas estão em seu nome. Segundo Fábio Rosso, auditorias periódicas realizadas pela organização, e a vigilância que a diretoria exerce sobre todos as etapas dos negócios, detectaram as entradas fictícias de soja no Terminal (armazéns que prestam serviços para cooperativas filiadas e terceiros), sem que efetivamente o produto tenha sido descarregado.
Isto ocorreu através de manipulação de documentos, com dados inseridos no sistema de controle computadorizado da entrada de produtos, sem que os caminhões efetivamente tenham chegado aos armazéns. A fraude foi observada há duas semanas, e imediatamente comunicada pela diretoria da Cotriguaçu à PF, em Paranaguá - o ofício foi protocolado dia 9 -, com pedido de instauração de inquérito para apurar responsabilidades. Segundo Fábio Rosso, os primeiros levantamentos, feitos pela Central, indicaram 56 cargas inexistentes.
Com o descarregamento tornado real, pela fraude, o emitente das notas vira credor do volume, para embarcá-lo, auferindo o lucro decorrente - cerca de 2,3 mil toneladas de soja, com valor próximo a R$ 700 mil. A Central informou aguardar conclusões da investigação da PF para promover a responsabilização judicial dos envolvidos e buscar a cobertura dos prejuízos.
A Nota frisa que, além de ter tomado a iniciativa de oficiar a PF, a diretoria e a gerência do Terminal colocaram-se à inteira disposição para ajudar nas investigações, nas quais se empenha o órgão policial e sua chefia, na pessoa do delegado José Augusto Chueire.





