Apesar do esforço crescente da Receita Federal de tornar as regras do Imposto de Renda mais simples e claras a cada ano, há inúmeros contribuintes que deixam para fazer a declaração na última hora e acabam tendo de recorrer a escritórios de contabilidade ou a amigos que entendem do assunto.
O assistente de marketing Fernando Mendes da Silva é um deles. Pela primeira vez ele está declarando seus rendimentos e até agora não conseguiu concluir a declaração. ‘‘Eu não sei como lançar os rendimentos que não são tributáveis’’, diz Silva, que gastou muitas horas da sexta-feira para entender o programa. Sem saída, ele optou por esperar a orientação de um amigo experiente. ‘‘Também estou inseguro porque é a primeira vez’’, acrescentou.
A insegurança também afeta os contribuintes antigos e que não têm tempo disponível para assimilar as regras da declaração e preferem contratar os serviços de um profissional. Esse é o caso da professora de Pós-Graduação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) Roseli Fishchmann. Ela conta que as duas vezes que optou por fazer a declaração sozinha ficou muito insegura porque não sabia se estava fazendo tudo certo.
Atualmente, nem que ela quisesse conseguiria completar a declaração sem a ajuda de um profissional por causa da falta de tempo. Trabalhando 12 horas diárias e todos os fins de semana desde o início do ano, até hoje por exemplo, Roseli não tinha procurado o seu contador.
‘‘Só na quinta-feira me dei conta de que o prazo para entrega da declaração termina no dia 30’’. A professora explica que, como o governo durante muitos anos prorrogava sistematicamente a data da entrega, ela acabou tendo a impressão de que o prazo máximo seria em maio, não neste mês.

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