Contribuinte prevê aumentos
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domingo, 05 de janeiro de 1997
Filipe Pimentel e Cláudia Lopes 
Se pudesse escolher, a população preferiria que a CPMF não fosse implantada. Como não tem mais volta, o jeito é se acostumar. Ainda que o imposto coma 0,20% cada vez que as pessoas movimentarem suas contas bancárias, elas não pretendem trocar de aplicações financeiras.
A caderneta de poupança, a mais procurada pelos pequenos investidores, deve continuar sendo a opção número um. Estas são algumas das conclusões de uma enquete que a Folha realizou em agências bancárias de Curitiba e Londrina.
O microempresário Vanderlei José da Silva diz que deve continuar investindo na caderneta de poupança. A questão é planejar toda a movimentação da conta corrente para evitar perdas, disse Silva, que está estudando como não perder dinheiro cada vez que movimentar sua conta.
A empresária de panificação Cleusa Lopes acha que vai ser prejudicada pelo novo imposto. Trabalhamos com muitos cheques e pagamentos. Acho que teremos problemas na movimentação da conta corrente, disse.
Gerson Coimbra, administrador de uma clínica de ortopedia, também não está gostando nada de começar o ano com imposto novo e acha que será prejudicado. Tenho uma conta em cada banco, em função dos convênios médicos. Isso vai dar um prejuízo bem grande, pois a cada saque, vou perder 0,20%, disse. Ele não confirma que, em função desta perda, vá reajustar o preço das consultas médicas. Mas afirma que ainda não sabe que medida adotará quando a CPMF estiver valendo. Se conseguir evitar, não repassaremos.
Em Londrina, os contribuintes também prevêem prejuízo. A vendedora autônoma Lidioneta Bieniek tem opinião formada: Sou contra. Mas ela diz que seria a favor se tivesse certeza de que o dinheiro seria usado na saúde. Tenho dúvidas. Ainda não confio no governo. Para mim, todos os preços sofrerão alterações por causa do novo imposto e isso vai tornar as coisas mais difíceis para nós.
José Lazarin, administrador de empresas, não aprova a alternativa de criar imposto do governo. É mais um imposto que vem de cima pra baixo para tapar buracos do governo. Os brasileiros deveriam lutar para tentar revertê-lo. A CPMF vai ser embutida no preço de todos os produtos, provocando inflação, esbraveja.
Cícero Antonio da Silva, comerciário, também não gosta da idéia de pagar mais um tributo. Sou contra mas não estou bravo porque vai servir para melhorar o setor da saúde, que está mesmo precisando. Só que todo mundo vai repassar o novo imposto e deve haver uma alta geral nos preços. Apesar disso, confio no governo.
A aposentada Amélia Coraça não tem a mesma convicção. Porque o pobre tem que pagar o mesmo que o rico? Quem tem R$ 100 mil no banco deveria pagar mais do que quem ganha salário. Assim, seria justo. Do jeito que o governo fez sou contra e fico até nervosa. O presidente que vá tirar dinheiro de quem rouba o INSS, sugere.


