No escritório Orgaplan, o preenchimento das declarações estava a todo vapor ontem à tarde. Há duas semanas trabalhando até 21 horas para dar conta da demanda, o contador José Roberto dos Reis, de Londrina, lamenta que o contribuinte não muda de hábito. "Apesar de a gente pedir todos os anos para se anteciparem, eles deixam para a última hora", conta.
De acordo com ele, a dificuldade maior das pessoas é reunir documentos. "Tem declaração que chega a ficar 15 dias parada esperando algum documento que falta", explica. Por causa disso, o trabalho vai se afunilando no fim do prazo dado pela Receita Federal. "Nessa época, o contador precisa ter 50 braços", brinca. Ontem, Reis trabalharia até quando aguentasse, mas hoje pretende encerrar o expediente às 18 horas. "Se Deus quiser, não precisarei ficar até a noite", afirmou.
Já Moisés Alves Ribeiro, do escritório Alternativa, estabeleceu prazo até 14 de abril para os clientes entregarem os documentos do imposto de renda. Integrante do Conselho Regional de Contabilidade do Paraná, ele afirma que quer "acabar com o estigma" do profissional que "se mata" de trabalhar por causa da demora dos contribuintes. "A responsabilidade da declaração é do contribuinte e não do contador", alega. Ontem, ele disse que sairia antes da 18 horas para jogar seu futebol.
Ribeiro admite que o forte do escritório não é declaração de imposto de renda de pessoa física, mas diz que presta esse serviço desde a época da máquina de datilografar. "A gente batia o documento à máquina e ainda tinha de levar até a Receita para carimbar", recorda. (N.B.)

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