A compra de uma casa certamente está entre os sonhos de consumo de muitos brasileiros, porém todos sabem o quanto é difícil conseguir o dinheiro para adquirir um imóvel. Que o diga uma professora aposentada que comprou um apartamento na área central de Londrina em 1988, pagou 180 meses de prestação (período do contrato) e ainda deve à Caixa Econômica Federal R$ 145 mil.
A aposentada, que deu procuração a uma sobrinha que prefere não se identificar, pagou a última prestação em outubro do ano passado, no valor de de R$ 1.070,00. O imóvel está avaliado em torno de R$ 110 mil. ''Ao procurar o banco, fui informada que a dívida poderia ser renegociada e cair para R$ 70 mil. Isso é um absurdo, com esse dinheiro compraria outro apartamento'', afirma a sobrinha, que procurou a Associação Nacional dos Mutuários do Paraná para ajudá-la a resolver o problema.
No Brasil todo, o governo federal, através da Caixa Econômica Federal, mantém ativos mais de 1,4 milhão de contratos de financiamentos habitacionais, fora os administratos pelos bancos privados e pela Empresa Gestora de Ativos (Emgea), criada em 2001 para cuidar dos contratos da Caixa assinados até 1994.
O que acontecia até pouco tempo atrás é, que, no decorrer dos anos com os reajustes das prestações por índices superiores aos ganhos salariais, a relação renda e prestação, estabelecida no início do contrato, acabava ficando desequilibrada. Os índices altíssimos a que chegavam a prestação, tornava o mutuário inadimplente e forte candidato a perder sua casa, mesmo após pagar por vários anos.
Nos últimos anos, milhares de mutuários procuraram soluções por via judiciária para as adequações desses contratos. Para tentar reverter essa situação, a Emgea lançou no início de julho o Projeto Ô de Casa, que permite a renegociação da dívida do mutuário. Dos cerca de 900 mil contratos da Caixa Econômica Federal, administrados pela Emgea, 187.195 estão em desequilíbrio financeiro e poderão ser renegociados.
No Paraná são 11.972 contratos passíveis de serem renegociados e em Londrina são 1.954 contratos em desequilíbrio. A média de avaliação desses imóveis é de R$ 45 mil. O diretor-presidente da Emgea, Gilton Pacheco de Lacerda, informa que a procura dos mutuários para renegociar a dívida está crescendo a cada dia. O site da Emgea (www.emgea.gov.br) tem recebido 2 mil acessos por dia e o 0800-574-2112 recebe uma média de 500 ligações diárias.
De acordo com Lacerda, será feita avaliação dos imóveis e os dados serão jogados numa fórmula matemática, que vai mostrar a possibilidade de redução da dívida. ''O governo está fazendo sua parte, com os pés no chão, sem dar nada de graça para ninguém'', comenta Lacerda, acrescentando que os contratos de baixa renda (abaixo de R$ 25 mil) estão sendo liquidados, pois o parâmetro de renegociação é mais favorável ao mutuário. No total, ele acredita que serão negociados em torno de 20% dos contratos que estão com o saldo maior que o valor do imóvel.

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