Contrato-forca coloca em risco sonho da casa própria
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 14 de junho de 2002
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba Consumidores humildes que sonham com a casa própria devem tomar cuidado antes de assinarem contratos diretos com as imobiliárias, para aquisição de terrenos e casas. Principalmente nas regiões metropolitanas das grandes cidades do Paraná, onde está ocorrendo explosão demográfica, muitas imobiliárias estão conseguindo amarrar esses consumidores aos chamados contratos-forca, nos quais eles ficam a vida inteira pagando pelo imóvel.
A Associação dos Adquirentes de Imóveis Financiados vem recebendo denúncias de consumidores que não conseguem quitar esses financiamentos. De acordo com o presidente da entidade, Andres Manuel Carrilo y Costa, ao vender lotes e casas em zonas urbanas, as imobiliárias costumam pedir um valor de entrada no negócio e o saldo devedor é parcelado com correção a 1% ao mês. Ocorre que a parcela divulgada geralmente apresenta um valor razoável, que cabe no orçamento mensal do consumidor.
Mas quando a conta é enviada, o consumidor leva um susto porque a correção de 1% geralmente dobra o valor da parcela. Como o consumidor não consegue pagar a conta toda, o diferencial vai para o saldo devedor que fica sendo corrigido mensalmente em 1%.
Ele apresentou como exemplo o financiamento de um terreno, cuja venda era anunciada por 144 parcelas (12 anos) de R$ 130,00 (o valor do salário mínimo da época). O valor total do contrato somava R$ 18.720,00. Além desse detalhe, mais à frente o contrato apresentava outra cláusula dizendo que o valor da prestação seria corrigido mensalmente pelo valor do IGPM mais 1% ao mês. Considerando que o IGPM seja zero, em período de estabilização econômica, só o valor da correção seria de R$ 187,29, ou seja acima do valor fixado inicialmente.
O Procon-Pr pretende deflagar uma ampla ação integrada contra as imobiliárias que atuam nas regiões metropolitanas. O coordenador do órgão, Naim Akel, orienta o consumidor que quiser comprar um imóvel direto com a imobiliária que apresente o contrato para análise do Procon.


