As pessoas que compraram carro com financiamento ou leasing corrigidos pela variação do dólar antes de janeiro do ano passado, quando houve a desvalorização, ainda têm muita dor de cabeça e estão longe de resolverem seus problemas. O médico psiquiatra Inácio Cordeiro conseguiu pagar ontem a última prestação do leasing que fez para adquirir um carro Daiwoo, mas ainda está longe de ganhar a documentação que o tornará dono efetivo do automóvel. O caso de Cordeiro e de mais 7 mil paranaenses está na Justiça.
O problema começou com a desvalorização do Real, em janeiro de 99. O valor dos contrados dobrou, porque o dólar passou a valer duas vezes o real. Os clientes das concessionárias se sentiram lesados, e auxiliados pelo Procon e Associação de Defesa do Consumidor (Adoc) ingressaram com ações judiciais, pedindo que o leasing fosse corrigido pelo INPC.
Em primeira instância, a Justiça deu ganho de causa, mas os bancos recorreram ao Tribunal de Alçada. O Tribunal informou ontem que o próximo passo é marcar a audiência, mas não há previsão para dar este passo. O Procon informou que o caso está parado por culpa da morosidade da Justiça. Somente no Procon a civil pública beneficiará 3 mil pessoas.
Cordeiro diz estar indignado com a situação. ‘‘Tenho um carro que eu já paguei por ele. Só que não sou o dono, pois não tenho os documentos’’, afirmou. Ele disse que o banco Santander, com o qual fez o leasing, propôs a ele pagar mais R$ 12 mil para ficar com o carro.

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