Contrato de Opções vai mudar mercado de grãos
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sexta-feira, 07 de fevereiro de 1997
Da Redação 
Warren NabucoCasa cheiaEmpresários ouvem os técnicos do governo na apresentação, ontem, do Contrato de OpçõesO contrato de Opções para comercialização de produtos agrícolas, lançado pelo governo federal, oferece mais vantagens do que os créditos de AGF e EGF, porque o agricultor não fica comprometido com o governo, ao passo que o governo se obriga a liquidar o contrato, caso o mercado não ofereça preços mais vantajosos que o mínimo. Esta, em resumo, é a conclusão que se pode tirar das palestras dos técnicos da Conab e Ministério da Agricultura, promovida ontem pela Bolsa de Cereais e Mercadorias de Londrina (BCML), com a colaboração do Banco do Brasil, Pioneer e Herbitécnica. O grande número de perguntas mostrou a preocupação dos produtores com relação ao mercado do milho, principalmente. Na platéia cerca de 300 empresários agrícolas, representantes de indústrias e cooperativas. Alguns vieram de longe: Foz do Iguaçu, Cascavel, Jacarezinho e Ivaiporã.
Os técnicos Joel Lemos, assessor da Secretaria Nacional de Política Agrícola do Ministério, e Célio Porto, assessor da Secretaria Nacional de Política Agrícola, explicaram como vai funcionar o Contrato de Opções e sugeriram que os agricultores atuem em bolsas através de corretoras de sua confiança. Relacionaram uma série de vantagens e disseram que o sucesso da medida na tentativa de sustentação dos preços vai depender também da participação dos agricultores.
Através do Contrato de Opção, o produtor terá direito de vender a mercadoria ao governo caso o mercado não pague mais do que este preço fixado pelo governo. Ou vender ao mercado, caso encontre preços acima do preço de garantia. Mas existem as taxas e as condições em que essas transações ocorrem. A operacionalização do Contrato, as condições, vantagens e desvantagens foram expostas e questionadas. Foi um bom exercício sobre o novo modelo que, segundo Joel Lemos, veio para ficar.
O direito de compra (e venda) do produtor é representado por um contrato que especifica quantidade, preço de exercício (somatoria do preço oficial, mais taxas, estocagem, etc), data de vencimento de contrato e local de entrega da mercadoria. Ao adquirir o direito ao Contrato de Opção o agricultor negociará o valor do prêmio oferecido em Bolsa.
Ao final, um dos expositores, Célio Porto, incluiu entre as mudanças decorrentes do Contrato de Opção, o fim de um velho vício das indústrias, de só comprarem da mão para a boca. Segundo ele, as indústrias terão de entrar comprando no mercado mais cedo do que normalmente ocorre e vão trabalhar com estoque porque a nova modalidade muda um pouco o perfil da comercialização do milho.
Fugir do intermediário Os agricultores Claudio Cavelheri, de Ivaiporã, e Mauro Senchechem, também do Vale do Ivai, sairam da reunião apostando no Contrato de Opções. Para eles esta é uma chance de reduzir as etapas de intermediação e ficar mais perto do comprador, seja a indústria, o governo ou qualquer agente de mercado, através da Bolsa de Cereais.
Ao colocar o produto na Bolsa, estou ofertando para um número enorme de compradores e o leque de opções de mercado aumenta. Se não fizer isto, fico na dependência de meia dúzia de atravessadores ou duas ou três cooperativas, afirma Cavalheri.
Muitos agricultores não vêem diferença entre intermediários comuns e cooperativas porque ambos não correspondem plenamente às suas expectativas. Preferem, diante da pouca opção, negociar com a indústria mais próxima. Menos mal, segundo eles.
Mauro Senchechem deu ontem o seguinte exemplo: o preço do milho esta semana está R$ 5,30 na Corol, Cocamar e Coamo. A Perdigão paga R$ 6,00.


