Contrato com a Tradener é o mais polêmico
A parceria da Copel que rendeu mais polêmica até o momento é a firmada com a Tradener. A primeira comercializadora de energia formada no País foi montada inicialmente pela Copel e pela empresa paulista Logos Engenharia. Meses depois, o contrato social da empresa sofreu alterações. A D.G.W. Participações, de propriedade do empresário paranaense e aliado político do governo do Estado, Donato Gulin, passou a fazer parte da sociedade, que mexe com uma das áreas mais rentáveis do setor: a comercialização de energia.
A Tradener teria iniciado as atividades com um capital social de R$ 10 mil, hoje avaliado em pelo menos R$ 1,35 milhão. Fala-se até em R$ 2 milhões (leia entrevista ao lado com o senador Osmar Dias). Uma cláusula prevê que, caso o contrato seja rescindido, a Copel teria que ressarcir a Tradener em R$ 20 milhões.
O contrato com a Tradener foi parar na Justiça e está suspenso, desde outubro, pela 4 Vara da Fazenda Pública de Curitiba. O advogado Carlos Abrão Celli entrou com ação popular questionando o negócio. A denúncia que pesa contra a Copel é o fato de a estatal ter feito sociedade na condição de minoritária, o que seria contrário à lei federal e sem respaldo de lei estadual. Questionou-se também, na ação popular acolhida pela Justiça, os critérios de escolha da Logos e da D.G.W., que não precisaram se submeter a licitação.
A Logos é uma prestadora de serviço que atua com gerenciamento e planejamento. A D.G.W. tem como atividades econômicas serviços de locação, arrendamento e intermediação de bens imóveis e como holding (controladora de participações societárias), segundo documentação da Junta Comercial. Quando a Tradener foi formada, em 1998, a Copel tinha 45% da sociedade e a Logos Engenharia 55%. O ex-diretor da Copel Walfrido Ávila, indicado pela estatal para gerenciar a Tradener, hoje é um dos sócios da D.G.W. e atua como diretor-presidente da Tradener, com sede em Curitiba. (Leandro Donatti, de Curitiba)





