Ao contrário do otimismo da Federação do Comércio do Paraná (Fecomércio), representantes do Sindicato do Comércio Varejista (Sincoval) e do Sindicato dos Empregados no Comércio de Londrina estão céticos em relação às contratações de funcionários temporários no mercado formal para as vendas de final de ano. A Fecomércio anunciou esta semana um boom de pelo menos 12 mil contratações, mas em Londrina a previsão é que não chegue a mil vagas. ''Isso é um exagero. No ano passado tivemos em torno de 500 vagas e este ano não deve passar disso'', declarou o diretor do Sincoval, Valmir Rafael dos Santos.
Segundo ele, as poucas contratações devem ocorrer a partir de dezembro, período em que as vendas devem estar aquecidas, principalmente porque as lojas ficarão abertas até as 22 horas. ''Mesmo com o horário de abertura sendo prolongado, não haverá tantas contratações porque os próprios funcionários das lojas preferem trabalhar no período da noite para terem melhores ganhos. Eles ganham por comissão'', informou Santos, que se mostrou pessimista em relação às vendas de final de ano também. ''Está havendo um excesso de otimismo e não é isso que estamos vendo na prática'', avaliou.
Além do otimismo em relação às contratações, a Fecomércio estima que as vendas fechem o ano em 2004 cerca de 7,5% maiores do que em 2003.''Se a renda do trabalhador não aumenta, não aumentam também as vendas. Em razão disso, a tendência natural é que as vendas nesse final de ano sejam menores'', sustentou.
Pensamento idêntico tem o vice-presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Londrina, Manoel Teodoro da Silva, que não acredita que o comércio de Londrina absorva mil pessoas neste final de ano. ''A gente queria ser otimista e acreditar, mas os lojistas não vão contratar até porque os funcionários acabam sendo sobrecarregados no final do ano. A grande maioria dos que são contratados temporariamente também fica na informalidade, porque alguns empresários não registram em carteira'', argumentou Silva, acrescentando que depois que passam as festas de Natal e Ano Novo ''chove'' trabalhadores no sindicato querendo receber seus direitos trabalhistas.
Está havendo uma campanha otimista em nível nacional, prossegue ele, mas a economia não está ''muito segura''. ''A renda do trabalhador caiu de agosto para setembro e isso repercute no consumo. As vendas de final de ano devem empatar com os índices obtidos no mesmo período de 2003'', prevê.
A expectativa positiva da Fecomércio para as contratações ocorrem em função do bom resultado da safra de verão e do desempenho das exportações no Estado. E também em razão de alguns fatores da macroeconomia, como a estabilidade da inflação, que deve ajudar nessa alta.

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