Contratações ficam no vermelho
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sexta-feira, 30 de dezembro de 2016
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 

Londrina teve sete contratações a mais do que o número de demissões em novembro, o que foi pouco para reduzir as perdas de 2,2 mil dos 11 primeiros meses do ano, conforme o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgado na quinta-feira, 29, pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Mesmo com a tradicional contratação de funcionários temporários pelo comércio no mês, os números ficaram aquém de outros anos.
O MTE não divulgou dados municipais por setor. No Estado, somente o comércio teve resultado positivo no mês, com 3,2 mil vagas abertas, o que não impediu que o saldo total de novembro tenha ficado negativo em 7,4 mil. A indústria, com redução de 4,6 mil empregados, e a construção civil, com queda de 2,9 mil, puxaram os números para baixo. A retração entre janeiro e novembro chegou a 28,9 mil no Paraná.
No País, também foi o comércio o único a registrar mais contratações do que demissões, com 58,9 mil. Por outro lado, os saldos ficaram muito negativos na indústria (-51,8 mil) e na construção (-50,8 mil), o que fez com que o resultado total fechasse em queda de 116,7 mil, na 20ª redução mensal consecutiva. O acumulado do ano fechou com diminuição de 858,3 mil carteiras assinadas.
Para o consultor econômico da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Marcos Rambalducci, o fraco desempenho na geração de empregos era esperado. "O número de contratações de temporários em novembro já aparecia como menor do que em outros anos e era sabido que não recuperaríamos postos de trabalho significativamente."
Diretor executivo do Instituto Datacenso e consultor da Associação Comercial do Paraná (ACP), Claudio Shimoyama afirma que a recessão é grande e as contratações do varejo para as vendas de fim de ano foram apenas um paliativo. "No momento em que estamos, o número é até satisfatório", cita.
Shimoyama conta que a ACP fez uma pesquisa que mostrou queda de 4% nas vendas para o Natal neste ano ante 2015, o que ajuda a explicar a reticência dos lojistas em contratar. "Por outro lado, a maioria deles disse que vai ao menos manter o número de funcionários com que chegou a novembro."

PESSIMISMO
Ambos não têm boa expectativa para o mercado de trabalho no primeiro semestre do próximo ano. O consultor da ACP lembra que o Carnaval será no fim de fevereiro, o que ajuda a atrasar a volta às aulas e o consumo para março. Já o economista da Acil espera um ano inteiro ruim. "Se o PIB crescer o esperado, entre 0,6% e 0,9%, teremos um saldo negativo em 2017, porque as empresas ainda tentarão aumentar a produtividade ao reduzir a taxa de ociosidade da mão de obra", diz Rambalducci.
RML
Marcos Rambalducci considera que a situação atinge toda a Região Metropolitana de Londrina (RML). "Se pegarmos as cinco principais cidades, que representam 82% da população e 86% do PIB, houve perdas de 489 vagas no mês e de 4,1 mil no ano", conta.
Rolândia tem o pior resultado quando comparado ao número total de pessoas com carteira assinada, já que perdeu 4,18% dos postos de trabalho desde janeiro. Na sequência, aparecem Ibiporã (-3,25%), Cambé (-1,97%), Londrina (-1,39%) e Arapongas (-1,16%). "Arapongas teve reação nos últimos dois meses, o que mostra sinais de recuperação da indústria moveleira. Em Rolândia, o problema está na transformação de alumínio, que é muito dependente de energia elétrica e que foi muito pressionada no ano", diz Rambalducci, que completa que as perdas em fábricas puxaram a RML para baixo.


