O ritmo de contratações do crédito rural para custeio, comercialização e investimento para a atual safra – Plano Agrícola e Pecuário 2015/2016 – ainda segue fraco, tanto no Paraná quanto no Brasil, e já se passaram três meses de liberação dos recursos. O volume total de recurso ofertado é de R$ 187,7 bilhões, aumento de 20% no montante em relação à safra anterior. Para custeio e comercialização, foram destinados R$ 149,5 bilhões, investimentos, R$ 38,2 bilhões, e para o médio produtor (Pronamp), R$ 18,9 bilhões.
Os números prévios do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor) do Banco Central, mostram que os valores captados no primeiro trimestre do plano é razoável quando se trata do crédito rural para custeio e ruim para investimentos. No Brasil, entre julho e setembro, foram contratados R$ 33,7 bilhões para custeio, alta de 25% comparado ao mesmo período da safra passada. No caso de investimentos em maquinários e implementos, o valor foi de R$ 7,2 bilhões, com redução de 46% na mesma base de comparação. No Paraná, o valor destinado para o custeio até agora foi R$ 6,5 bilhões, alta de 40%, enquanto investimento ficou em R$ 785 milhões, retração de 50%. Números atualizados serão disponibilizados no dia 10 de novembro.
No início da semana passada, o secretário de Política Agrícola, André Nassar, do Ministério da Agricultura (Mapa), afirmou que as reclamações a respeito dos recursos do Plano Safra 2015/16 "caíram muito", o que, segundo ele, é um sinal de que os valores estão sendo liberados pelas instituições financeiras com maior fluidez. O secretário pontuou que dados preliminares dos três primeiros meses do novo plano indicam que o perfil dos produtores que captaram o crédito mudou. Há um volume maior de recursos destinado à agricultura, enquanto a pecuária reduziu sua participação. "Diminuiu o número de contratos e aumentou o valor deles, o que é um sinal de maior seletividade dos bancos. Eles estão operando dessa forma este ano", afirmou Nassar.
Diante do contexto de aperto monetário no Brasil, instituições financeiras estão exigindo mais demandas aos interessados em captar recursos, com o objetivo de melhorar o perfil de suas carteiras e evitar a inadimplência. Ele também se defendeu da crítica de produtores, que relataram que o cronograma do Plano é baseado apenas nas maiores culturas. "Há vários aprimoramentos que precisamos fazer, mas a dinâmica com a agricultura já corre bem".
A economista da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Tânia Moreira, relata que a alta nas contratações de custeio está diretamente ligada ao fato de não ter sido liberados recursos para pré-custeio, o que acabou gerando um grande volume no começo das captações. "O Mapa atribuiu esse aumento específico ao mês de julho".
No caso da retração dos valores para investimento, o principal fator é a alta dos juros, atualmente na casa de 8,75% - 35% maior do que no ano passado. "O produtor olha para o prazo de até oito anos para pagar, analisa o cenário econômico atual e inevitavelmente reduz o interesse. Ele não vai assumir uma taxa de juros deste porte. Por outro lado, os bancos acabam se tornando mais seletivos no momento de liberar recursos", complementa a economista. (com Agência Estado)

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