Contratação de apólices vira um labirinto
São Paulo - O roubo de carga transformou a contratação do seguro de transporte rodoviário num labirinto, um emaranhado de regras e condições que exige tanto das seguradoras quanto dos segurados mais e mais gente para dar conta do assunto. O nó de tudo está no seguro adicional para cobertura de ''desvios de carga'', uma modalidade opcional do seguro de responsabilidade civil do transportador cuja finalidade é a cobertura de prejuízos provocados pelas quadrilhas organizadas.
Poucas seguradoras se arriscam nesse negócio e a razão é simples. Os números do primeiro semestre deste ano explicam por si só. Enquanto as seguradoras receberam R$ 89,774 milhões em prêmios das transportadoras, os roubos as obrigaram a um reembolso de R$ 63,339 milhões. Há um jargão no setor: ''índice de sinistralidade'', que atinge a marca de 71%.
''Se incluída a comissão de venda do seguro e os custos administrativos, a carteira é deficitária'', explica Juarez Cerqueira do Amaral, gerente-executivo da Divisão de Seguros de Transporte da Itaú Seguros.
Foi o que ocorreu no primeiro semestre com a seguradora. ''O índice de sinistralidade nesse tipo de seguro na Itaú foi de 85%. No fechamento, o custo ficou com 101% do prêmio'', afirma. A operação é subsidiada pelo seguro que o transportador tem de contratar obrigatoriamente e cobre danos provocados por acidentes.
Em geral, a ação das quadrilhas no primeiro semestre colocou em nível elevado o índice de sinistros. As seguradoras que tiveram índices menores ampliaram as exigências para a contratação do serviço de gerenciamento de risco. (A.E.)





