Bruxelas - Entre os produtos agrícolas processados de maior interesse do Mercosul, estão os lácteos, biscoitos, achocolatados e café solúvel. Os europeus ofereceram maior acesso a produtos que contenham até 60% de açúcar, produto considerado sensível, mas de grande interesse para o Mercosul.
Uma contraproposta ambiciosa do Mercosul para os produtos compostos de acúcar e lácteos vai depender de uma negociação entre o Brasil e a Argentina. O Brasil, maior exportador mundial do açúcar, tem interesse numa queda acentuada das tarifas impostas pelo bloco sul-americano ao produto. A Argentina, no entanto, considera o açúcar um item sensível. O inverso ocorre com os lácteos. ''Cabe agora ao Mercosul fazer um esforço de suas prioridades e apresentar uma proposta de contra-reciprocidade que vai melhorar a oferta da UE'', disse Graça Lima.
O chefe do Departamento de Comércio Exterior da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Antônio Donizeti Beraldo, disse que a proposta européia para as PAPs ficou incompleta, mas é ''positiva e relevante''. Até agora, o bloco europeu propôs maior acesso para 445 dos 995 itens tarifários agrícolas que eram considerados não negociáveis pela UE. Segundo ele, as exportações do Mercosul de produtos agrícolas processados para o bloco europeu são muito reduzidas, mas o potencial de crescimento é substancial. ''Não exportamos mais por causa das tarifas altas, mas os nossos produtos são muito competitivos e se o acesso aumentar, vamos elevar as exportações'', disse Beraldo.
Exportaçõex - Segundo cálculos da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), o Brasil exportou no ano passado US$ 130 milhões em PAPs para os 25 países da UE e US$ 1,5 bilhão para todo o mundo. O chefe do Departamento de Comércio Exterior da CNA, Antônio Donizeti Beraldo, observou que a fatia global das exportações brasileiras de outros produtos agrícolas para UE é de 50%. ''A oferta da UE para a agricultura não é a desejável, mas é razoável'', disse Beraldo.
Negociadores europeus e do Mercosul iniciaram ontem discussões para tentar fechar um acordo em torno das regras sanitárias e fitossanitárias. Os europeus querem ter garantias de que seus produtos tenham o mesmo tratamento em todos os países do Mercosul, que não possuem uma harmonização das regras.(AE)

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