A procura pelos anticoncepcionais com preços populares, integrados ao programa da Farmácia Popular do Governo Federal em junho passado, ainda tem sido pequena. Segundo representantes de farmácias credenciadas ao programa em Londrina, há dois fatores para o baixo interesse dos consumidores: a necessidade de ter que apresentar o receituário médico e a falta de informação sobre o programa. Os anticoncepcionais disponibilizados - quatro ao total - somam descontos de até 90%, os preços variam, em média, de R$ 0,42 a R$ 1,24.
''O brasileiro não tem muito o hábito de ir ao médico. Mas para comprar os remédios da farmácia popular, inclusive os anticoncepcionais, é preciso ter passado por uma consulta e ter receita médica'', frisou o gerente de uma das lojas da Farmácia Senador, Ademir Vejam. Para tentar alavancar as vendas desses medicamentos, a própria empresa tem divulgado os produtos. ''Temos entregados panfletos e colocado banners dentro da loja. Esse é um excelente programa do governo'', observou.
A rede de farmácias Vale Verde também optou pelo marketing próprio para tentar atrair os consumidores e divulgar o programa do governo. As ações da farmácia acontecem, por exemplo, em postos de saúde e consultórios médicos. ''Quando existe alguma divulgação, a procura melhora. O que está faltando ainda é informação, principalmente pelo governo. Falta propaganda na mídia'', salientou o gerente de uma das farmácias da rede, Fábio Fernando da Cruz. A rede também distribuiu folhetos com informações sobre os anticoncepcionais.
Cruz também comentou que o fato de ser exigida a apresentação da receita médica impede que as pessoas comprem os medicamentos disponibilizados na Farmácia Popular. ''Isso é inibidor, mas não é determinante'', frisou.
Programa A idéia de oferecer camisinhas e pílulas anticoncepcionais para as 3,5 mil farmácias comerciais credenciadas no programa Farmácia Popular é uma tentativa do governo federal de ampliar o acesso a métodos contraceptivos e também informar os brasileiros sobre planejamento familiar.
O objetivo do governo é facilitar o acesso a esses métodos contraceptivos, não apenas pelo custo, mas também pela disponibilidade. Até junho, o governo federal enviava a 5.232 municípios um kit de métodos anticoncepcionais para ser distribuído pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Esta é a primeira ampliação na venda de produtos que o Ministério da Saúde faz para as farmácias populares das redes comerciais conveniadas. Desde que foram lançadas, no ano passado, até hoje, as redes vendiam apenas medicamentos para diabetes e hipertensão. A rede de farmácias conveniadas funciona dentro de estabelecimentos comerciais comuns, credenciados, que revendem os produtos distribuídos pelo ministério a preço de custo.

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