Curitiba - O presidente da Sociedade Rural de Capanema (112 km a Oeste de Francisco Beltrão), Luiz Carlos Naime, calcula que mais de 3 mil cabeças de gado vindas da Argentina já entraram ilegalmente no Brasil pela fronteira seca com o Paraná, na Região Sudoeste do Estado. Segundo ele, o contrabando aumentou muito nos 130 quilômetros de fronteira quando os funcionários da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab) entraram em greve.
Os pequenos pecuaristas dos sete municípios paranaenses que ficam na fronteira estão tendo dificuldades para vender seus animais. Segundo eles, os frigoríficos da região estavam dando preferência para o gado argentino, cujo preço está até 60% mais baixo que o do bovino brasileiro.
Naime considera que a operação ‘‘Segurança Nacional’’, desenvolvida por órgãos estaduais e federais para coibir o contrabando, não é suficiente para proteger a fronteira. ‘‘Seria necessária a intervenção das Forças Armadas‘‘, defende.
Além de prejudicar o mercado da carne, a entrada do gado argentino no Paraná preocupa o setor pecuarista por causa da confirmação de focos de febre aftosa do outro lado da fronteira. Segundo o veterinário da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Alexandre Jacewicz, mesmo tendo obtido um alto índice de vacinação do rebanho bovino da região, a aftosa ainda pode entrar no Estado através do rebanho suíno.
‘‘Quando o vírus entra numa região, o rebanho suíno é o primeiro a sofrer’’, explica o veterinário. ‘‘E na Região Sudoeste do Paraná está um dos maiores rebanhos suínos do Brasil’’, completa. Os suínos não recebem vacina contra aftosa, mas depois de contaminados, podem espalhar a doença para os bovinos.
Com a operação ‘‘Segurança Nacional’’, pelo menos cinco bovinos contrabandeados da Argentina já foram sacrificados no Paraná. A operação está concentrada nos municípios de Barracão, Santo Antonio do Sudoeste, Pérola do Oeste, Bom Jesus do Sul, Pranchita, Planalto e Capanema. Nesses municípios, o rebanho bovino é composto por cerca de 140 mil animais.

mockup