O Brasil não está imune à gripe aviária. Embora seja uma doença secular, nos últimos anos, a influenza ganhou a mídia internacional depois de devastar plantéis e matar pessoas na Ásia. O que tem chamado atenção é a incidência, cada vez maior, das formas mais virulentas. ''Por fatores que não estão claros, a doença nunca aportou no Brasil. Já ocorreu na Ásia, Europa e Estados Unidos'', afirma o professor Ivens Gomes Guimarães, coordenador técnico do Centro de Investigação em Medicina Aviária (Cimapar), da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Entre as aves, a influenza é transmitida pelas vias aerógenas. O vírus também está presente nas secreções e nas fezes das aves. Por isso, é difícil conter o avanço da doença, que pode ser levada pelas aves migratórias. No caso do Brasil, há um outro problema: o contrabando. Dessa forma, a doença também pode entrar no País clandestinamente. Mesmo o Brasil sendo dependente de material genético aviário, Guimarães não acredita que a doença chegue desta maneira, uma vez que é feito um controle rígido nesse tipo de importação. Em humanos, a doença ocorreu em pessoas que tinham contatos frequentes com aves ou que manipulavam carcaças.
Mas mesmo sem a incidência da doença no País, o Paraná já se prepara para enfrentá-la. O Centro de Investigação em Medicina Aviária (Cimapar), da UEL, é o único do Estado considerado referência para situações emergenciais e de diagnóstico das doenças New Castle e Influenza. A partir da habilitação do laboratório, já credenciado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), foram elaborados projetos e destinadas verbas para melhorias e construção de infra-estrutura. A expectativa é que o laboratório esteja funcionando em 90 dias. Além disso, o Cimapar foi integrado ao Sistema Estadual de Agricultura.
Para isso, foram desenvolvidos sub-projetos. Além da melhoria da infra-estrutura já existente, o projeto prevê a capacitação de recursos humanos com a unificação dos currículos de medicina aviária de todas as escolas estaduais e da Universidade Federal do Paraná; a criação de bolsas de iniciação científica na área; criação de vagas para residência no tema; implantação de mestrado profissionalizante; e criação de um projeto de vigilância e monitoramento ativo das viroses hemoaglutinantes, que incluem as doenças New Castle e Influenza aviária.
O Cimapar, em parceria com os laboratórios das universidades estaduais de Maringá e Guarapuava, irão monitorar a rotina e dar suporte à ação descentralizada no campo ou dar retaguarda nas ações e situações emergenciais. Também será construída a estrutura de um cenário para a realização de simulações regulares de situações emergenciais e treinamentos para técnicos de qualquer nível.
Inspeção- O professor garante que os abatedouros são inspecinados pelo serviço federal e os lotes de aves são acompanhados regularmente, inclusive, com inspeção pré-abate, onde constam informações escritas do responsável técnico. Todo esse procedimento garante a sanidade das aves para o consumidor. Não é a mesma situação do frango caipira, que é criado solto e sem qualquer controle de sanidade. Segundo ele, o rápido crescimento dos frangos criados em granjas são resultado da carga genética (80%) e da carga nutricional (20%), feita através de uma dieta balanceada.

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