Contrabando atinge US$ 1,6 bi por ano
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 06 de fevereiro de 1997
Agência Estado 
Arquivo FolhaExportação ilegalSacoleiros atravessam o Rio Paraná fugindo da fiscalização: contrabando supera as vendas legais do ParaguaiSÃO PAULO - Levantamento feito pelo Banco Central do Paraguai mostra pela primeira vez, oficialmente, que o contrabando do País supera as suas vendas externas. As exportações não legalizadas no ano passado somaram US$ 1,628 bilhão, contra US$ 1,028 bilhão das registradas. Os principais sócios comerciais dos paraguaios são Brasil e Argentina, parceiros no Mercosul. O contrabando do Paraguai é uma das principais dores de cabeça dos empresários brasileiros.
Os dados foram obtidos com o cruzamento do volume das exportações legais dos últimos três anos com as importações do Mercosul, em números fornecidos pelo FMI e pela divisão de estatística da Comissão de Comércio Exterior do Mercosul. Como não batiam, a diferença foi considerada contrabando.
As exportações somaram US$ 725 milhões em 93. Nesse mesmo ano, o Paraguai havia exportado mercadorias sem registro no valor de US$ 1,06 bilhão. Ou seja, o contrabando foi US$ 335 milhões maior que as exportações. No ano seguinte, as vendas externas subiram para US$ 817 milhões. Mas o contrabando cresceu ainda mais, chegando a US$ 1,401 bilhão. Em 1995, as exportações não registradas voltaram a crescer e chegaram a US$ 1,923 bilhão, ante US$ 919 milhões de exportações legais.
O crescimento do contrabando nos últimos três anos é atribuído à explosão do consumo no Brasil com o Plano Real. Além disso, foi favorecido pelo tratamento especial dado a alguns produtos (eletreletrônicos, eletrodomésticos, calçados e uísque escocês) importados pelos paraguaios com alíquotas baixíssimas.
De acordo com o diretor do Departamento Econômico Internacional do BC paraguaio, Raúl Vera, de janeiro de 1995 em diante houve um forte aumento das importações paraguaias em função do regime de turismo, que permite imposto de importação baixo. Nesse ano, o Paraguai importou US$ 2,797 bilhões, recorde na década. A combinação da explosão do consumo no Brasil com a tarifa baixa de importação no Paraguai acabou induzindo os comerciantes paraguaios a reexportar essas mercadorias para o Brasil e para a Argentina sem registrá-las.
Agora o governo quer saber qual a razão para a balança comercial do País apresentar consecutivos déficits, enquanto suas reservas internacionais aumentam. Dados do BC mostram que o País está em déficit comercial desde 1990. No ano passado, o saldo negativo foi de mais de US$ 1,628 bilhão, o mesmo valor das exportações ilegais. Queremos classificar melhor os fluxos comerciais e financeiros para identificar onde estão os erros e as omissões, disse Vera.
O Banco Central paraguaio estima que as exportações (legais e ilegais) em 1998 devem chegar ao patamar dos US$ 3,5 bilhões. Se a estimativa do BC estiver certa e se confirmar, em função do resultados de seu comércio exterior dos últimos anos, mais da metade desse volume exportado será via contrabando.
Vera disse que o governo vai fazer o possível para combater a anomalia. Até agora, o BC não tem dados desagregados sobre o contrabando. Mas o governo vai fazer uma estimativa de demanda dos países do Mercosul, por produtos - a maioria eletroeletrônicos, eletrodomésticos, calçados e bebidas.


