CONTRA A MARÉ - 'Não dá para perder uma boa crise'
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domingo, 11 de outubro de 2015
Andréa Bertoldi <br>Reportagem Local 
A atividade original dos dois empresários estava, de alguma forma, ligada à madeira. O chef Junior Durski foi madeireiro durante muitos anos até que o hobby da gastronomia passou a ser a sua atividade principal. A rede Romera começou há mais de 30 anos comercializando somente móveis, mas resolveu aumentar o mix de produtos e hoje oferece de eletrodomésticos a smartphones. As mudanças e inovações não param por aí: os dois grupos possuem projetos ousados de expansão mesmo em meio ao cenário macroeconômico do Brasil.
Na quarta reportagem da série que mostra como empresas e empreendedores estão apostando e investindo mesmo na crise, a FOLHA traz os planos e expectativas de negócios de dois grupos genuinamente paranaenses.
Durski, que é dono do Restaurante Madero, é um investidor que não tem se intimidado com a crise econômica pela qual passa o País. A rede de restaurantes inaugurada em 2005 teve um faturamento líquido de R$ 132,8 milhões no ano passado e, para este, a previsão é atingir R$ 300 milhões, valor estimado em função da expansão nacional e internacional da marca neste ano.
A rede já possui 57 restaurantes nos estados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Goiás, Bahia, Mato Grosso do Sul e no Distrito Federal e prevê a abertura para o próximo mês da primeira unidade internacional, localizada em Miami. "Na crise existem as melhores oportunidades, mas a maioria dos empresários têm medo de avançar e começam a diminuir tudo", avaliou Durski. Até o final do ano, a meta é somar 65 unidades. A marca também conta com 13 restaurantes em contêineres em rodovias nas localidades de Campo Largo, Arapongas, Umuarama, Chapecó (SC), Brusque (SC), Itapema (SC), Florianópolis (SC), Barra Velha (SC), Fazenda Rio Grande, Curitiba e Lorena (SP).
Segundo o chef, como as pessoas têm menos dinheiro para comer fora, valorizaram mais a ida a um restaurante. "Por isso, quem tem mais qualidade vai se diferenciar dos concorrentes", destacou. Durski acredita que diminuir custos durante uma crise econômica é perigoso, porque pode levar à redução da qualidade da matéria-prima.
"Agora é um momento muito mais de investir e de contratar gente boa enquanto os outros demitem. Não dá para perder uma boa crise", disse. Neste ano, observou, há muito espaço a ser explorado e descontos em serviços de propaganda e até em construtoras. Durski disse que os custos das obras para erguer os restaurantes estão até 25% mais baratos. No entanto, os momentos de crise exigem que se trabalhe mais, de acordo com ele.
Só a unidade de Miami está recebendo um investimento de US$ 1,2 milhão. "Admiro o modelo de gestão americano. Queremos aprender esse modelo de gestão e importar", declarou.
Durski disse que acredita que o mais difícil na história da marca ficou para traz. Originalmente, ele era madeireiro (atividade que encerrou definitivamente em 2011) e iniciou a atividade nos restaurantes como hobby. "Eu criei desde o nome da marca. Foi difícil esse aprendizado todo", contou.
O Madero conta com uma fábrica em Ponta Grossa na qual foram investidos R$ 28 milhões e de onde saem todos os ingredientes para a confecção dos sanduíches. Segundo ele, para que as coisas funcionem é importante ter um time muito forte. "Tenho um sócio em cada restaurante, o restante é equipamento de ponta", disse.
Os restaurantes oferecem pratos de carnes e massas mas, segundo ele, 70% das vendas são de cheeseburgers. Hoje, a rede conta com 2.200 funcionários e há 14 franqueados.
Agora em outubro, ele pretende entrar com outra inovação nos restaurantes que é a linha de sanduíches fit. O cheeseburger terá pão integral, creme de palmito no lugar da maionese e queijo cheddar light com redução de sódio. A outra versão de sanduíche tem 50% menos sal no cheeseburger, 50% menos no pão e no queijo e creme de palmito.
Durski é formado em Direito, mas revela que nunca atuou na área. Entre 1984 e 1999 morou na Amazônia e atuou como madeireiro. Ele lembrou que antes de abrir o Madero, fez um estudo dos melhores restaurantes dos Estados Unidos e ficou um mês lá comendo cheeseburger. Depois retornou aos EUA e passou mais um mês degustando estes sanduíches. "Levei um ano para chegar ao produto final", contou. Segundo ele, o segredo do tempero da carne dos sanduíches é sal e pimenta do reino com cortes de fraldinha e contrafilé.
Para 2016, as metas dele são abrir mais 12 restaurantes e outros 12 contêineres e atingir 50% de acrescimento no faturamento líquido. Para isso, também será necessária a contratação de 1 mil funcionários. A expansão realizada neste ano teve um investimento de R$ 60 milhões e para 2016 estão projetados outros R$ 60 milhões. Outro objetivo é inaugurar um restaurante em Sidney, na Austrália, provavelmente em março de 2016.


