As contas do governo central - que englobam os resultados do Tesouro Nacional, da Previdência Social e do Banco Central - tiveram, em maio, o pior resultado do ano: um déficit de R$ 593 milhões, medido pelo conceito primário, que não leva em consideração as despesas com juros. O Tesouro Nacional, isoladamente, registrou seu primeiro déficit primário desde setembro de 1997, de R$ 377,2 milhões.
‘‘O resultado de maio decorre de acentuada queda nas receitas totais’’, disse ontem o secretário do Tesouro Nacional, Eduardo Guimarães. De janeiro a abril, as contas federais foram beneficiadas com o ingresso de receitas extraordinárias, decorrentes das concessões de Banda B, do pagamento de dividendos e de medidas do pacote de ajuste fiscal. No primeiro semestre, as receitas extraordinárias do governo somaram R$ 7,9 bilhões, sendo que seu ingresso foi concentrado em março e abril.
Em abril, por exemplo, o caixa do Tesouro havia sido engordado em R$ 1,6 bilhão decorrente da concessão da Banda B da telefonia. Em maio, porém, não houve novas concessões. Como resultado, as receitas do Tesouro caíram 21,3% em maio, na comparação com abril, o que se refletiu numa queda de 14,8% nas receitas totais do governo central.
‘‘Os resultados do segundo semestre tendem a ser piores do que os do início do ano’’, admitiu Guimarães. Ele explicou que, tradicionalmente, os gastos do governo crescem a partir de julho. ‘‘Por outro lado, estaremos aplicando mais rigor na liberação de recursos’’, observou. Por isso, disse o secretário, é difícil prever se os resultados dos próximos meses serão todos negativos ou não. ‘‘Mas não temos dúvida de que os melhores meses foram março e abril’’, disse ele.
As despesas do governo central caíram R$ 66 milhões em maio, na comparação com abril. ‘‘Esse dado já reflete a retração nas liberações do Tesouro’’, disse o secretário do Tesouro.
Embora o resultado de maio tenha sido negativo, as contas do governo central apresentam, em 98, uma performance melhor do que a do ano passado. Nos primeiros cinco meses do ano, as contas primárias apresentam superávit de R$ 3,425 bilhões, sendo que no mesmo período do ano passado o superávit acumulado era de R$ 2,530 bilhões.Arquivo FolhaIngresso tímidoEduardo Guimarães: ‘‘O resultado de maio decorre da acentuada queda nas receitas totais’’Agência Estado

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