O superávit primário do setor público brasileiro em setembro foi de US$ 2,102 bilhões, equivalentes a 4,17% do Produto Interno Bruto (PIB), com o que o resultado acumulado nos nove meses do ano é de US$ 18,278 bilhões (4,33% del PIB), informou ontem o Banco Central (BC).
Graças a estes resultados orçamentários, o Brasil supera em US$ 3,252 bilhões a meta acertada com o Fundo Monetário Internacional (FMI) em troca de um empréstimo de ajuda internacional de US$ 41,5 bilhões entregues em cotas desde 1998.
O superávit primário é a diferença entre a renda e os gastos do Governo (federal, Banco Central, empresas públicas, estados e municípios) sem contar os gastos com os juros da dívida pública, que chegaram a US$ 3,886 bilhões em setembro.
O déficit nominal do setor público, diferença entre rendas e gastos, incluindo o pagamento de juros da dívida, diminuiu e ficou em US$ 1,761 bilhão, US$ 500 milhões a menos que em agosto.
Nos nove primeiros meses do ano, o déficit nominal foi de US$ 14,611 bilhões (3,5% do PIB), frente aos US$ 43,5 bilhões registrados no mesmo período do ano pasado, equivalentes a 12,3% do PIB.
Para as autoridades monetárias brasileiras, o déficit do setor público não superará os 4% do PIB no final do ano 2000. Por outra parte, o BC comunicou que a dívida líquida do setor público chegou em setembro a US$ 283 bilhões, equivalentes 48,5% do PIB, cifra estável em relação a agosto.
A relação dívida pública/PIB, um dos principais indicadores da saúde das contas brasileiras, está retrocedendo desde agosto passado, quando a dívida chegou a 50,1% do PIB.
InflaçãoA economia brasileira cresce com ritmo ‘‘firme, dentro dos límites compatíveis com a estabilidade dos preços’’, assegurou ontem informe do Banco Central (BC), no qual se garante que as metas anuais de inflação serão cumpridas em 2000 e 2001. ‘‘Os indicadores mostram que a demanda é forte, que melhoraram as ofertas de crédito e aumentou a confiança do consumidor’’, assegurou o BC.
Manter as taxas de juros no atual nível de 16,5% permitirá cumprir a meta de inflação de 6% prevista para este ano e de 4% estimada para 2001. ‘‘O cenário externo continua sendo um risco importante. A instabilidade do preço internacional do bruto faz esperar que seu preço não baixe de 27 dólares por barril de petróleo Brent até o final do ano que vem’’, assegura o diretor de política econômica Ilan Goldfajn.
O BC calcula que a inflação deste ano não superará os 6,7%, apesar de que podem acontecer novos aumentos no preço dos combustíveis e transportes públicos antes de janeiro. Assim, será respeitada a meta acertada com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que estabeleceu que os preços subiriam 6% este ano, podendo ficar dois pontos percentuais acima ou abaixo.